Wakanda para além das telas
- Júlia Santos
- 19 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
Segundo filme da franquia Pantera Negra dá continuação ao legado do herói

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, dirigido por Ryan Coogler, é a sequência de Pantera Negra, filme lançado pela Marvel em 2018. A história do herói africano ganhou vida com a atuação de Chadwick Boseman, que faleceu em 2020 em decorrência de um câncer no estômago. Um dos personagens mais queridos pelos fãs do universo dos quadrinhos, Pantera Negra se tornou um símbolo representativo para a comunidade negra, além de ser uma grande referência.
O legado do herói continua no segundo filme estreado neste ano. Para Ronald da Fonseca, aluno do curso de história da Uerj, Wakanda Para Sempre traz a representatividade que muitas vezes foi negada na infância de crianças negras, desde desenhos a novelas. “Apesar de ser um super-herói, ele também tem seu lado de humanização. O filme não fala só da representatividade negra masculina, também toca na de mulheres pretas”. Ronald ainda lembra do protagonismo de Shuri, irmã de T’Challa, na sequência da franquia.
Wakanda Para Sempre ainda traz representatividade indígena. Namor, vivido pelo ator mexicano Tenoch Huerta, compõe a história com uma crítica ao colonialismo e aos ataques aos povos nativos. Talocan, reino de Namor, é uma representação dos territórios com interesse imperialistas. O nome da cidade foi mudado para o filme, que antes era Atlantida, o nome Talocan é de origem asteca, significando “paraíso”, adicionando mais representatividade ao filme.

A história do príncipe de Wakanda, reino fictício criado por Stan Lee e Jack Kirby, foi vista pela primeira vez em 1966, na Era de Prata das histórias em quadrinhos na 52 edição do Quarteto Fantástico. No Universo Cinematográfico da Marvel, o super-herói já esteve presente ao lado dos Vingadores, importante equipe do estúdio, que conta com Homem de Ferro, Capitão América, Viúva Negra, entre outros. Hoje, com sua própria franquia, o personagem wakandano segue sendo inspiração para os fãs.
Com sua estreia nos cinemas, Pantera Negra arrecadou 1,4 bilhão em bilheteria mundial, sendo um dos maiores sucessos de 2018. Repetindo a fórmula, Wakanda Para Sempre conquistou a segunda maior bilheteria em um final de semana de estreia em 2022, ficando atrás apenas de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Como um fenômeno das telas, o herói conquistou o público com suas cenas de luta, força e inteligência, admirado por milhares de pessoas que veem em T’Challa um pouco de si.
O programa Outras Palavras, da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), abordou a narrativa do super-herói em um debate sobre a importância do filme em meio a diversas histórias protagonizadas por pessoas brancas. “Um elenco predominantemente negro. Os personagens brancos são secundários”, relembrou Rodrigo Sérgio, pesquisador na área de comunicação e autor do livro Panther is The New Black, que explora o sucesso comercial e social do longa lançado em 2018, além do seu alcance na cultura pop.
Destaque no Oscar de 2019, Pantera Negra fez história ao ser o primeiro filme do gênero super-herói a ser indicado na categoria Melhor Filme. O longa ganhou como Melhor Figurino, sendo a figurinista Ruth E. Carter a primeira mulher negra a ganhar nessa categoria. Também garantiu vitória como Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Design de Produção, sendo Hannah Beachler a primeira mulher negra indicada e vencedora na categoria.
T’Challa é um personagem original desde sua concepção, sendo o primeiro herói negro a ganhar destaque no mundo das histórias em quadrinhos. Nos filmes, ospostos de diretor e roteirista são ocupados por homens negros (Ryan Coogler e Robert Cole), além de ter um elenco majoritariamente negro, fazendo da franquia um divisor de águas na história do cinema. Com um protagonismo que celebra a história africana, Pantera Negra se destaca como símbolo representativo para muitos que não se enxergam em papéis de protagonismo.


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