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Um novo jeito de se fazer pagode chega ao público

  • Vitória Luna
  • 22 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2022

Pagodeiros investem em shows longos, intimistas e imersos em nostalgia.


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Na última semana, o projeto que revolucionou o mundo do pagode, “Tardezinha”, voltou a estar entre nós. O cantor e fundador do projeto, Thiaguinho, revelou novas datas de shows, em hiatus desde 2019, e agora voltará com tudo, contemplando mais de 20 cidades por todo o Brasil.


No início de 2015, o cantor e seu amigo, Rafael Zullu, começaram com o projeto que revolucionaria a forma de se fazer pagode atualmente. Originalmente, pensada para ser uma festa com cerca de 400 pessoas, entre famosos e o público em geral, o fenômeno se espalhou por 51 cidades e 163 edições, encerrando, até então, o ciclo com o Maracanã lotado, em 2019. Os shows realizados pelo pagodeiro duravam até sete horas, e a cada apresentação, o repertório era lotado dos clássicos de pagode mais conhecidos do país, além de sempre contar com a presença de grandes nomes da música brasileira. Pelo palco do Tardezinha já passaram cantores como Péricles, Belo e Alexandre Pires.


Mariana Caputo, de 21 anos, esteve presente no último show do Tardezinha, que aconteceu no Maracanã, e conta que a experiência que teve era a de um evento íntimo, mesmo estando em um estádio. “O show teve seis horas de duração e ele interagia com o público constantemente. O clima era muito confortável! Sentia como se eu estivesse em uma festa realizada por ele e seus amigos. Ele abria espaço pro público pedir músicas lá na hora mesmo e atendia todos os pedidos.”, contou Caputo.


Luísa González, de 21 anos, conta que a experiência na Resenha do Mumu foi quase como a de um festival. “Vários convidados que marcaram a música apareceram para cantar, e a lista de músicas teve um pouco de tudo. O público não parava de cantar um segundo sequer. Você paga por um show e recebe inúmeros artistas no pacote.”, recorda González.


Em uma entrevista ao jornal Extra, Thiaguinho diz que o sucesso do projeto se deve ao saudosismo que o show traz aos espectadores. “São músicas que fazem parte da história das pessoas, principalmente para quem tem a minha faixa etária. Canções que nos fazem lembrar da escola, de situações, de churrascos de família.”, explica o cantor. “Então, acho que a reação das pessoas às letras tem a ver com este saudosismo bom. Quando a canção marca a vida de alguém positivamente ou nem tão positiva assim, vai direto no coração.”, finalizou.


Após o estouro dos shows idealizados por Thiaguinho, é possível enxergar que um padrão começou a ser seguido, tornou-se comum encontrar shows de pagodes com essa atmosferaintimista e nostálgica. Nomes conhecidos como o cantor Mumuzinho e o grupo Menos é Mais lançaram suas próprias versões do sucesso, a Resenha do Mumu e o Churrasquinho do Menos é Mais.


Embora tenham como principal propósito criar um ambiente íntimo, essa nova leva de shows traz consigo uma estrutura gigantesca e ocupa grandes espaços comoo Parque Olímpico, onde acontece o Rock in Rio.


Geralmente, essas grandes produções vêm acompanhadas da gravação de um DVD, ou então, na linguagem atual, o lançamento de uma live. Após o sucesso da Tardezinha, apenas um nome conseguiu se equiparar ao fenômeno, o Numanice, idealizado pela cantora Ludmilla. Porém, embora sejam do mesmo gênero musical, o sucesso do projeto de Ludmilla se deve a algo que outros projetos não se atentam, embora tenham uma produção gigantesca, o Numanice ainda é um evento restrito e exclusivo.


Trazendo ao fundo paisagens memoráveis, o projeto da cantora reforça o permanecimento da ideia inicial de Thiaguinho e Rafael Zullu,realizar uma festa, onde apenas os sortudos fazem parte. A produção da cantora conta com apenas duas áreas, a de Open Bar, onde geralmente ficavam alguns dos mais íntimos da cantora e a área para o público geral, o setor normal.


Gabrielle Araújo, de 23 anos, esteve presente tanto nas primeiras edições do Tardezinha, quanto na Resenha do Mumu e no Numanice, ela relembraa diferença entre os projetos. “Ameu ver, quando o Tardezinha cresceu, e ganhou uma maior notoriedade, um maior alcance, a estimativa do público também cresceu, e a Resenha do Mumu também. Já o Numanice, por ser ainda um evento super exclusivo, você acaba se sentindo especial quando consegue comprar o ingresso”, comenta Araújo.


De formas diferentes, e respeitando a individualidade artística de cada envolvido, um padrão foi criado e o jeito que era o tradicional, o que era conhecido por todos, foi vencido.


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