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Rio de Janeiro investe em plano preventivo para chuvas

  • Julia Camara & Lorran Rosa
  • 16 de jan. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de jan. de 2023

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) prevê o terceiro ano consecutivo de chuvas atípicas nesta estação do ano no hemisfério sul.


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Reprodução: Agência Brasil

Para evitar danos consequentes das fortes chuvas de verão, a Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro (Sedec-RJ), como previsto em lei, lançou o Plano de Contingências (PLACON) para chuvas intensas de verão 2022/2023, para os municípios do estado. Além da medida da instituição, alguns municípios investiram em infraestrutura para a contenção de possíveis desastres. Como foi o caso da prefeitura do Rio de Janeiro, que teve um investimento recorde de R$ 1,2 bilhão.


No final do ano passado, a prefeitura do Rio lançou o “Plano Verão”, que consiste em medidas preventivas a acidentes ambientais causados pelas chuvas. O plano prevê um conjunto de 235 obras de infraestrutura como realização da contenção de encostas, dragagem de rios e limpeza de ralos. A previsão é de que até dezembro deste ano 102 obras sejam entregues, segundo o Escritório de Dados da prefeitura quase 50% das obras ocorrem na Zona Oeste da cidade.


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Reprodução: dados.rio

O climatologista e professor do departamento de Geografia da Uerj, Antonio Oscar, explica que é necessário a criação de um plano urbanístico que contemple as características ambientais do estado na decisão de quais reformas serão feitas para tentar diminuir os impactos dos fenômenos naturais. Ele reforça a importância de uma revisão, reestruturação e modernização dos sistemas de drenagem do Rio de Janeiro, pensados para um estado menos populoso, das décadas de 30 e 60, que hoje produzem uma resposta hidrológica à sobrecarga que sofrem, como no acúmulo de água.


Para Oscar, essa construção deve ser feita em parceria entre as governanças estadual e federal, considerando três pontos fundamentais: renaturalização do sistema de drenagem urbano, requalificação e modernização do sistema de esgotamento sanitário, e o fortalecimento do potencial dos serviços ambientais. “Se não houver essa essa parceria efetiva, vamos continuar o que a gente tem hoje, uma série de política de programas e obras de intervenção que não se comunicam e muitas vezes uma interfere na outra significativamente.”


Só na primeira semana de janeiro foram registradas mais de 100 ocorrências em todo estado por conta das chuvas de verão, que começaram em novembro do ano passado. Dois homens foram encontrados mortos no norte do estado em consequência do transbordamento dos Rios Pomba e Muriaé, localizados nos municípios de Santo Antônio de Pádua, Bom Jesus de Itabapoana e Laje do Muriaé. Na cidade do Rio, as chuvas prejudicaram o abastecimento de 13 bairros da Zona Oeste, segundo a concessionária Rio+Saneamento, devido a alteração na qualidade da água captada na Estação de Tratamento do Guandu.


Em Petrópolis foram registrados pelo menos 13 deslizamentos de terra, queda de árvores e afundamento de terra, sem vítimas. No ano passado a cidade, que fica na região serrana do estado, sofreu uma das maiores tragédias em função de chuvas, superando as de 1988 e 2011. As enchentes e deslizamentos deixaram 233 vítimas fatais e centenas desabrigadas. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a cidade foi atingida pela chuva mais forte desde 1932.


No plano de contenção da Defesa Civil do município para este ano está incluído o Protocolo de Inundações, produzido em conjunto com os motoristas de ônibus, para que todos saibam o que fazer no caso de uma inundação no Rio Quitandinha entre a Ponte Fones e o Obelisco. Eles contam também com um estudo de vazão do rio, que corta as cidades, no qual conseguem identificar em quanto tempo ele irá transbordar de acordo com o volume da chuva, permitindo ações antes da enchente ocorrer.


O professor Oscar esclarece que deslizamentos, enchentes, entre outros são uma tentativa da natureza de encontrar um equilíbrio entre suas diferenças de relevo. A estrutura do estado do Rio é complexa, devido a áreas muito rebaixadas, como a Zona Oeste, e outras muito elevadas, como a de Petrópolis. As intervenções do homem na geografia natural da região alteram a dinâmica dos processos naturais. Considerar o desenvolvimento de ocupação urbana sem um sistema de drenagem adequado e os riscos associados a encostas e intervenções inadequadas para construções nesses locais evitaria expor a população aos riscos e ocorrências desses fenômenos.


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Reprodução: Agência Brasil

Influência do fenômeno ‘La niña’


Nos últimos três anos as chuvas nesta estação do ano foram atípicas, o professor explica que um dos principais sistemas atmosféricos de chuvas intensas no estado do Rio de Janeiro, conhecido como ZCAS - Zona de Convergência do Atlântico Sul tem sofrido influências de outros fenômenos o que gerou chuvas mais intensas. “Então, nos últimos três anos estamos em situação de La Niña, que acaba deslocando mais a sul esse sistema atmosférico, trazendo maior quantidade de precipitação aqui para o Rio de Janeiro.” disse. Isso provoca uma perturbação na circulação e pressão atmosférica, fazendo com que haja mudanças bruscas de tempo, causando em um dia a quantidade de precipitação esperada para o mês, ondas de frio e calor.


De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET, a atuação do fenômeno La Niña deve persistir, pelo menos, até fevereiro de 2023. Se a previsão estiver correta este será o terceiro ano seguido de chuvas atípicas nesta região, com o aumento significativo do volume de precipitação e uma redução da temperatura em relação a média histórica esperada para o verão carioca, algo que ocorreu pela última vez entre 1998 e 2001.


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