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Rede do passarinho azul ainda poderá voar?

  • Foto do escritor: Lyandra Pralon
    Lyandra Pralon
  • 20 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de dez. de 2022

Instabilidade gerada pela compra do Twitter por Elon Musk levanta dúvidas sobre o futuro da rede social


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Divulgação/Twitter

Após a aquisição bilionária do Twitter por Elon Musk, no dia 27 de outubro, a rede social vem enfrentando instabilidades na aplicação de mudanças. As propostas do CEO da Tesla para a plataforma vem desagradando aos usuários e funcionários, além de vir gerando discórdias. As opções que podem substituir a plataforma ainda são poucas e não possuem tanta visibilidade, suporte e capacidade para criar uma comunidade de usuários tão grande quanto a que o Twitter arrecadou desde a sua criação, em 2006.


Internautas estão cada vez mais insatisfeitos e à procura de novas opções para suceder a tão popular rede azul. Uma delas é o Mastodon, que ganhou cerca de 230 mil inscritos em uma semana. A plataforma se assemelha bastante com o Twitter na forma de utilização, com postagens que podem ser respondidas, curtidas ou republicadas, entretanto, ela diverge na parte técnica já que a rede funciona com servidores temáticos conforme os interesses dos usuários. Por mais que os servidores sejam diferentes, as pessoas ainda poderão visitar todo o site, podendo interagir com usuários de outros servidores.


Outra opção para substituir o Twitter seria a Blue Sky, plataforma que está sendo desenvolvida por um dos fundadores e ex-CEO do Twitter, Jack Dorsey. A plataforma irá oferecer serviços que permitem maior controle sobre o consumo de conteúdos, além de possuir um compartilhamento de informações mais transparente. Entretanto, a rede social ainda está em desenvolvimento e não possui data de lançamento, mas já é possível se cadastrar para a lista de espera para testar a versão beta digitando um e-mail na página de cadastro bsky.app.


A mais recente opção de substituto para a plataforma é a rede social chamada Koo App, que ganhou fama recentemente e tem chamado bastante atenção das pessoas por ser muito semelhante ao Twitter. O aplicativo foi desenvolvido por indianos e tem como fundador e CEO Aprameya Radhakrishna. A rede social se tornou popular no Twitter na sexta-feira, dia 18 de novembro, após a notícia do fechamento temporário dos escritórios do Twitter por ordem de Musk.


A estudante de Relações Públicas da Uerj, Maria Clara Homaissi, de 22 anos, comenta que, como usuária do Twitter, a compra da plataforma por Elon Musk faz com que ela sinta vontade de deixar a rede social, mas ainda não encontrou uma opção que substituísse o aplicativo. Ela comenta que viu no próprio Twitter pessoas comentando sobre redes parecidas, mas que não achou nada legal.


Outra opção para ela seria a suposta nova rede social que o antigo dono do Twitter estaria desenvolvendo, a Blue Sky. “Ou então o Twitter vai acabar e a gente não vai para nenhuma outra rede. Às vezes é bom desligar um pouquinho da internet, já temos toxicidade suficiente e não precisamos de mais. Embora seja triste ver uma das maiores plataformas que existiu sendo destruída dessa maneira.”, finalizou a estudante.


A streamer formada em Redes de Computadores e estudante de Publicidade e Propaganda na Estácio, Deborah Souza de Lima, de 22 anos e também usuária do aplicativo, não tem outras opções de rede e nem muita vontade de deixar a rede social porque não utiliza a plataforma como fonte de renda, apenas como forma de entretenimento. “Se eu fosse uma influenciadora ou alguém que realmente usasse, aí eu teria mais vontade de sair, porque eu vi pessoas que pararam de ser patrocinadas e empresas que pararam de patrocinar e colocar anúncio no twitter porque não sabem o que vai ser no futuro”, explicou a streamer.


Deborah também crítica a posição de Elon Musk, comentando que a compra da plataforma teria sido apenas para mostrar que ele pode adquirir determinada empresa. “Atualmente nem a Tesla vem indo tão bem, acho que ele quis pegar e dizer ‘Eu sou o dono do twitter e eu posso mudar ele do jeito que eu quiser’, essa é a impressão”, afirmou a técnica de redes.


Mudanças impostas já mostrava o que estava por vir


Uma das suas principais mudanças, a venda de selos verificados pelo pacote Twitter Blue, gerou um mau retorno quando usuários utilizaram do novo método para se passar por contas oficiais de famosos, empresas e autoridades, propagando fake news. Para Maria Clara, a possibilidade de comprar o selo de verificado é super perigosa. A estudante argumenta que já vivemos em um momento em que as fake news são difíceis de controlar, vender algo que legitima a identidade de alguém e aumenta essa tendência de informações falsas é um tanto irresponsável.


Segundo Deborah, as mudanças que Elon Musk planeja são desnecessárias. Ela comenta como agora com a venda dos selos verificados, várias contas falsas geraram prejuízos para as contas verdadeiras. “Por causa disso ele criou o selo verificado do verificado, então, é uma coisa totalmente inútil que só vai confundir os outros”, completou.


Polêmico por seu discurso relativo à liberdade de expressão, a mudança de chefia do Twitter para as mãos de Musk provocou logo no início o abandono da rede social por alguns famosos como Gigi Hadid, Whoopi Goldberg e Shonda Rhimes, que alegaram no próprio Twitter não estarem dispostos a esperar o que Elon Musk teria planejado e que a rede social já não seria mais um local seguro, abandonando a rede logo em seguida.


Na percepção de Maria Clara, essa nova “liberdade de expressão” serviria como um pretexto para as pessoas serem racistas, xenofóbicas, homofóbicas e preconceituosas. “Se eu não me engano, depois da compra, o uso de expressões racistas aumentou em cerca de 500%. Isso é bizarro!”, adicionou Homaissi comentando a análise realizada pelo Network Contagion Research Institute, divulgada pelo jornal The Washington Post.


Deborah afirma que, após pesquisar sobre o assunto, ela compreendeu que as mudanças seriam feitas de acordo com a lei, mas ela acredita que essa questão não é algo que já não tenha acontecido antes e que seja mais para atingir quem estava reclamando das medidas tomadas pelo Twitter contra quem estava espalhando fake news.


O futuro do Twitter é incerto e cada vez mais Musk toma decisões que atrapalham o avanço da rede social. Suas investidas em escolhas contraditórias como o discurso de mais liberdade de expressão e a forma com que vem lidando com seus funcionários, além do grande número de demissões na empresa, levam a plataforma a beira do precipício e faz com que usuários acreditem que esse é o fim para a tão famosa rede do pássaro-azul.

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