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Racismo ameaça população pobre em crises climáticas

  • Foto do escritor: Lorran Rosa
    Lorran Rosa
  • 21 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Pretos, pobres, povos indígenas, mães solo, crianças de até cinco anos e idosos estão nos principais focos de desastres ambientais.


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Fonte: Flick/Alexandre Ventura

Movimentos negro e indigena brasileiros discursaram sobre racismo ambiental na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Cop-27), que aconteceu no Egito, entre os dias 6 e 18 de novembro deste ano. As discussões giraram em torno do impacto das mudanças climáticas em grupos étnicos minoritários, a importância dos povos originários e a urgência da participação dos países ricos na preservação da Amazônia. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base nos dados das defesas civis municipais, este ano o Brasil bateu recorde de vítimas fatais por desastres ambientais, contabilizando 495 mortes em todo o país.


O termo racismo ambiental, criado pelo ativista norte-americano Benjamin Chavis nos anos 1980, remete ao impacto mais elevado e desigual que pessoas pretas, povos indígenas e a parcela mais pobre da sociedade sofrem com a degradação ambiental, além da negligência dos governantes. O recente deslizamento na favela da Rocinha em decorrência das fortes chuvas, é um exemplo. Assim como as enchentes em 47 cidades do sul da Bahia, que afetou cerca de 790 mil pessoas, deixando 27 mortos, 520 feridos e milhares de desabrigados. Os deslizamentos de terra e cheias em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, e Minas Gerais, que juntos somam 24 mortos e dezenas de feridos. As queimadas na região da Amazônia Legal, com foco nos biomas Amazônico e Cerrado.


O Brasil é o quarto maior emissor de gás carbônico (CO²) do mundo, um grande poluente, portanto um dos responsáveis pelo aquecimento global, que é causador desses fenômenos. E isso se deve, principalmente, pela alta do desmatamento na Amazônia, que em 2021 chegou a 13 mil km em áreas desmatadas, o que proporcionalmente seria pouco maior do que o diâmetro do planeta terra.


As nações pobres, como a nossa, liberam apenas 14% de gases poluentes na atmosfera, mas são as que mais sofrem as consequências das mudanças climáticas. Os 86% restantes ficam a cargo das nações ricas, menos impactadas. Estados Unidos, China e Rússia lideram o ranking. A perseguição e genocidio de povos originários e o desmonte de instituições como a Fundação Nacional do Índio (Funai), responsáveis pela preservação da mata, são outros fatores agravantes da degradação ambiental. Povos indígenas preservam em torno de 80% da biodiversidade do mundo.


O estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, revelou que a porcentagem de pretos e pardos pobres é de 34,5% e 38,4%, respectivamente, enquanto a de brancos é 18,9%. O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua do IBGE (PNADC) levantou o dado de que até o final de 2021, a população pobre do Brasil chegava a 22,3%, sendo que 40% se concentrava no nordeste do país.


Por meio do cruzamento de dados entre o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o IBGE, estima-se que, atualmente, 10 milhões de pessoas vivem em áreas de riscos, localizadas, principalmente, no litoral brasileiro. Em que 75% das famílias que moram nessas regiões vivem em áreas sujeitas a deslizamentos de terra. E 25% delas em locais com risco de inundações, enxurradas e outros fenômenos. Até o meado deste ano, cerca de 7.918.982 brasileiros sofreram com enchentes, enxurradas, deslizamentos, secas e queimadas, em maioria, pessoas pretas, pardas e periféricas.


A existência de bairros, favelas, aldeias indígenas e quilombos em territórios precários é reflexo de um processo histórico, diretamente ligado ao racismo e às heranças do desenvolvimento socioeconômico das regiões no pós abolição da escravatura. Portanto, não há coincidência no perfil específico das pessoas que habitam esses locais, das que são afetadas por esses fenômenos, e também não haverá soluções que possam ser tomadas sem considerar tais sujeitos e incluí-los nas discussões.


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