“Publicidade abusiva”: diz especialista sobre polêmica da Balenciaga
- Beatriz Pereira & Julia Santos
- 13 de dez. de 2022
- 3 min de leitura
Professora de Relações Públicas, Maria Helena Carmo, destaca o desrespeito da marca com os direitos humanos ao fazer campanha envolvendo fotos de crianças com elementos sexuais.

A grife espanhola Balenciaga causou polêmica durante o lançamento da sua campanha de final de ano. As fotos foram divulgadas em 16 de novembro e chamaram atenção pelo conteúdo que coloca crianças em um cenário com itens BDSM ( Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). O termo se refere a relações sexuais baseadas no prazer da dor, prática que está relacionada ao sadomasoquismo.
As imagens foram retiradas do ar pela grife, e os itens não se encontram mais à venda. A Balenciaga quebrou o silêncio apenas no dia 22 de novembro, com um comunicado oficial, foi publicado no Instagram um pedido de desculpas reconhecendo que as fotos não deveriam ter a participação de crianças, além de declararem que querem aprender, ajudar e proteger todas.

O ensaio fotográfico causou debates nas redes sociais por trazerem elementos adultos com apologia à fetichização. A marca foi acusada de erotização infantil e pedofilia e sofreu represalia do público geral e de pessoas influentes na mídia, como Kim Kardashian - embaixadora da grife.
Inspirado pela série fotográfica Toy Story de Gabriele Galimberti, profissional que clicou as imagens, que envolve crianças registradas ao lado de seus brinquedos favoritos, o ensaio trazia menores acompanhados de um modelo de bolsa de pelúcia desfilado pela grife na Semana de Moda de Paris, em outubro, como parte da sua coleção de Primavera/Verão 2023.
O escândalo cresceu mundialmente quando um usuário do Twitter encontrou em uma das fotos da campanha um trecho de uma ação judicial na Suprema Corte dos EUA de 2008, no caso United States v. Williams, que tratava da venda de material de pornografia infantojuvenil.
Maria Helena Carmo, professora de Relações Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em assessoria de imprensa, declarou estar revoltada com o briefing da campanha.
“Me choca muito o fato das marcas, assim como a sociedade com manifestações políticas, terem ultrapassado a fronteira. A fronteira da ética, do respeito ao ser humano e à diversidade de uma maneira geral.”
São diversas etapas até que a campanha fosse divulgada. É o que aborda Carmo ao analisar o material divulgado pela marca. "Não deveria ter sido nem cogitada". Para ela, já na etapa de elaboração o erro deveria ter sido identificado como algo absurdo. A irresponsabilidade da empresa negligenciou os direitos das crianças ao usar modelos infantis em imagens com referência à fetichização.
A professora também destaca que enquanto essas polêmicas não impactarem as vendas, as empresas não vão se preocupar com a opinião do público, que em geral não é consumidor da marca - que representa uma elite muito restrita.
A especialista ainda ressalta que nas redes sociais não existe polêmica sem consequências graves. “As marcas pensam que podem tudo. Isso dá a sensação de que vale tudo pelo click”, disse a professora. Segundo ela, a exposição infantil é inegociável e não devia ter sido explorada nesse produto de consumo com a intenção de polemizar.
A empresária Kim Kardashian se pronunciou acerca da campanha polêmica na segunda-feira (29). Ela disse que ficou "abalada com as imagens perturbadoras" da peça publicitária.
Kim também disse estar reavaliando a relação com a marca de roupas. "Como mãe de quatro filhos, fiquei abalada com as imagens perturbadoras. A segurança das crianças deve ser a maior consideração, e qualquer tentativa de normalizar o abuso infantil de qualquer tipo não deve ter lugar em nossa sociedade", disse.
Além de Kim Kardashian, que teve seus posts no Instagram inundados por comentários pedindo algum posicionamento a respeito de seu principal parceiro na moda, outras figuras públicas como a influenciadora brasileira Gkay foram cobradas. Elas não se posicionaram, até o momento.
Igualmente em sua conta, Galimberti esclareceu que não é o autor da foto em que aparece o processo sobre pornografia infantil, que foi "falsamente associada ao seu trabalho". Ele afirmou ter recebido muitas mensagens de ódio após a divulgação do ensaio da Balenciaga e destacou: "Não estou em posição de comentar as escolhas da Balenciaga, mas devo ressaltar que eu não fui autorizado de maneira alguma nem a escolher os produtos nem os modelos ou a combinação deles. Linchamentos como este estão direcionados aos alvos errados e distraem as atenções do problema real e dos criminosos", acredita.


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