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Não-monogamia e as diferentes formas de se relacionar

  • Andressa Zuza & Leandra Carvalho
  • 6 de fev. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de fev. de 2023

O sociólogo Rhuann Fernandes traz esclarecimentos sobre o tema tão debatido entre jovens do século XXI.


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Um assunto muito pautado nas últimas semanas tem sido as relações não-monogâmicas, no qual uma pessoa, solteira ou não, não se relaciona apenas com um indivíduo. Existe uma opinião “conservadora” na grande maioria das pessoas sobre este tipo de relação afetiva. Entretanto, uma pesquisa feita pelo aplicativo de relacionamento Gleeden mostra que cerca de 86% dos brasileiros já traíram. O sociólogo especialista em Sociologia das Emoções pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rhuann Fernandes, fala sobre isso: “As pessoas tendem a se manter presas em um relacionamento ou a uma pessoa e, por consequência, muitas das vezes acontece a traição.”.


O programa Big Brother Brasil 23 sempre faz com que tenha algum debate nas redes sociais sobre temas interessantes. Um dos assuntos em alta nessa edição é a não-monogamia, que entrou em pauta após o participante Fred Nicácio, casado com um outro homem, beijar Gabriel Santana, durante uma festa do programa. Dúvidas como: “Ele não é casado?” e “O marido dele não sente ciúmes?” são encontradas nos comentários da foto dos participantes se beijando. O que pouca gente sabe é que no primeiro dia do programa o participante disse que tem um relacionamento aberto com seu marido, ou seja, ele é não-monogâmico.


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Em entrevista, Thuani Coutinho, antropóloga de 27 anos, conta que desde de 2020 se relaciona de forma não-monogâmica e que foi casada de 2016 até 2021. Durante o casamento seus familiares achavam "bizarro" o relacionamento não-monogâmico, mas não era uma pauta a ser discutida. Thuani diz que alguns amigos faziam julgamentos como: "isso é um surto", "é medo de ser traída" e "é só uma fase de curiosidade". "Eu sofri e sofro muitos questionamentos sobre a forma como eu escolhi me relacionar, ouço muito as pessoas falando: 'eu não conseguiria', 'isso não vai dar certo' e 'assim não funciona'.", diz a antropóloga.


Outro participante que declarou seguir a mesma forma de se relacionar foi Manoel Vicente, que participou da casa de vidro mas não chegou a entrar no programa. Para Vicente, o mais importante é prezar pela liberdade e “traição não se resume a beijar”. “Beijar outros não é traição para nós. Traição é mentir.”, declara o participante da casa de vidro.


A antropóloga tem o mesmo pensamento de Manoel Vicente. "Eu não vejo atração sexual como traição, para mim traição está relacionado ao ato de mentir. Em 2017 eu propus abrir o relacionamento e não foi aceito. Em 2020, quando meu ex marido aceitou a não-monogamia e tínhamos mais intimidade para falar sobre outras afetividades, ele contou ter se relacionado com uma outra pessoa quando o modelo do nosso relacionamento era monogâmico. A mentira foi o que pesou.", disse Thuani Coutinho.


Segundo Rhuann Fernandes, a não-monogamia não segue uma regra, cada casal tem um combinado dentro do relacionamento. Por isso, existem vários modelos consensuais de se relacionar, os mais comuns são:


  • poliamor: quando a pessoa tem mais de um relacionamento simultaneamente, seja ele romântico ou sexual, com o consentimento de todos os envolvidos.

  • relações livres/amor livre: a pessoa que está em um relacionamento sexual ou romântico tem total autonomia e liberdade pessoal.

  • relacionamento aberto: quando as pessoas que estão em um relacionamento concordam que relações sexuais, sem estabelecer vínculo afetivo amoroso com terceiros, não são consideradas traição.

Segundo Fernandes, esse modelo de relacionamento monogâmico tradicional, patriarcal e heteronormativo presente nas sociedades tem como principal lema — como é visto em novelas e filmes — encontrar “o verdadeiro amor da vida”, único, de preferência, e manter a relação apenas com ele para sempre.


Os ciúmes também estão presentes nas relações não-monogâmicas, entretanto, a forma de lidar com o sentimento é diferente. “Na realidade, o sentimento não é negado, mas trabalhado.”, diz Fernandes. De acordo com ele, as pessoas que praticam a não-monogamia encaram o sentimento como algo negativo e lidam como uma emoção que precisa ser admitida e interrogada com frequência. “Por isso, a diferença entre os não-monogâmicos e os demais, em relação ao ciúme, seria se propor ao exercício de lidar com esse sentimento, notando quando ele aparece e investigando sua causa, ao invés de romantizá-lo e tratá-lo como prova de amor.”, diz o sociólogo.



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