Negros estão subrepresentados nos grupos de transição
- Laura Machado

- 22 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2022
O baixo número de autoridades e personalidades pretas e nordestinas na equipe de Luiz
Inácio Lula da Silva vem sendo alvo de críticas da sociedade civil.

A população espera que, em pleno 2022, ano que aconteceram inúmeros debates antirracistas, além da candidatura de vários deputados negros pelo país, esse problema seja sanado, tendo em vista que uma das bandeiras do PT, partido do futuro presidente, é o combate ao racismo. De acordo com os brasileiros, é fundamental que as pessoas negras tenham voz ativa nesse momento importante para o Brasil.
Em colaboração ao debate em questão, entrevistamos Stella Martins, estudante de Ciências Sociais na Uerj e ativista do movimento estudantil RUA Juventude Anticapitalista. A aluna fala sobre a importância dos grupos minoritários nas equipes de transição, e de que forma essas mudanças afetarão os universitários brasileiros, tendo em vista os cortes realizados pelo governo Bolsonaro em diferentes setores, como a saúde, economia e educação.
Para você, qual a importância de ter pessoas LGBT, pretas, indígenas e de regiões
sub-representadas do país, como o Norte e Nordeste, compondo os grupos de
transição do governo? Quais são os pontos positivos e negativos das nomeações
que estão sendo divulgadas?
Acredito que é fundamental a presença maciça dessas minorias, porque foram elas que mais sentiram na pele o aumento do preço dos alimentos e o desemprego durante o governo Bolsonaro. Serão as políticas pensadas por esses grupos que irão trazer melhorias significativas para a população.
Porém, quanto aos nomes da equipe de transição, acredito que diferentemente do governo Bolsonaro, vemos várias personalidades com experiência política e administrativa. Parece
uma luz no fim do túnel, tendo em vista as nomeações de militares e de gurus que vimos no último governo. Por outro lado, é perceptível a frente ampla que tem se construído para legitimar esse governo e que dá claros acenos de que o governo Lula vai ser cada vez mais puxado pela direita e por grupos que defendem agendas neoliberais.
Como estudante universitária, você se sente representada com as personalidades que estão responsáveis pela pasta da educação? O que poderia ser melhorado para que haja um trabalho inclusivo para os estudantes?
Não me sinto representada pela pasta da educação, os nomes que foram divulgados são
dos grandes conglomerados da educação e de instituições que construíram a reforma do ensino médio, que hoje se mostra uma falácia. São nomes que defendem uma educação bancária, formação técnica e que, consequentemente, vão defender uma elitização do público que ingressa nas universidades. Acredito que para haver uma inclusão maior dos estudantes é necessária a ampla comunicação com as comunidades acadêmicas, fóruns de discussão e ciclos de debate. Acho que esse governo tem o desafio de retomar o diálogo com a sociedade civil e os estudantes e o movimento estudantil tem muito a contribuir para isso.
Por outro lado, mesmo com a escassez de pessoas negras nos grupos de transição, podemos ver nomes como Silvio Almeida e Anielle Franco escalados para as equipes. A irmã de Marielle Franco será responsável pela pasta de políticas para mulheres. Quando foi convidada, Anielle tweetou em seu perfil que se sentiu honrada e está ciente de seu desafio, após vários anos de retrocesso nos direitos das mulheres, sobretudo negras e indígenas.
Anielle Franco é da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. É formada em Jornalismo e em Inglês, pela Universidade Central da Carolina do Norte, licenciada em Inglês/Literaturas, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e mestranda em Relações Étnico-Raciais, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Outra personalidade negra, que está na equipe de transição, é Silvio Almeida, advogado convidado a compor a equipe de Direitos Humanos. Silvio também é cotado para comandar o Ministério da Justiça no futuro governo, caso a pasta da Justiça seja separada da Segurança Pública. A equipe de transição de Lula foi dividida em 31 áreas temáticas. O presidente tem o direito de nomear 50 cargos remunerados e também poderá contar com voluntários.


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