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Mulheres vivem momento histórico na transmissão esportiva

  • Rafaela Antico
  • 17 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de jan. de 2023

O jornalismo esportivo está, mais do que nunca, abrindo espaço para mulheres, que provam ter tanta competência e capacidade quanto os homens.


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Renata Silveira integrante do Grupo Globo

Vislumbrar uma mudança no jornalismo esportivo parecia algo distante. Por muito tempo, as vozes masculinas dominaram as narrações dos jogos de futebol. Mas os brasileiros têm visto, cada vez mais, a presença feminina em transmissões de jogos, e a tendência é de que isso se torne ainda mais comum. Mulheres apaixonadas por futebol e pela narração finalmente podem sonhar em fazer parte do maior evento futebolístico do mundo.


Na Copa do Mundo de 2014, Fernanda Gentil foi a única mulher na cobertura da Rede Globo. Em 2018, o Mundial da Rússia ficou marcado pela cobertura totalmente masculina na maior emissora do país – entre 37 profissionais na transmissão, não houve nenhuma mulher. No entanto, no Mundial do Catar, houve uma mudança considerável nesse cenário.


O Grupo Globo formou um time de talentos femininos. Renata Silveira está marcada na história ao se tornar a primeira mulher a narrar os jogos da seleção masculina em rede aberta. Além dela, Ana Thais Matos, Renata Mendonça e a jogadora de futebol Formiga contribuíram nos comentários. Foi a primeira vez que a opinião de mulheres sobre futebol foi veiculada pela maior emissora do Brasil em uma Copa do Mundo, para todo o país.


Diferentes veículos têm buscado dar mais espaço às profissionais que decidem entrar no jornalismo esportivo. Os canais ESPN e Fox Sports contam com uma equipe de narradoras desde 2018, sendo pioneiros no país ao colocarem mulheres assumindo funções antes desempenhadas apenas por homens.


De acordo com a professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte da Uerj, Leda Maria da Costa, muitos homens não são favoráveis à presença feminina na cobertura esportiva por acharem que mulheres não entendem do assunto, ou por simplesmente não quererem que esse meio, sempre dominado pelos homens, perca essa característica.


A professora também destacou a dificuldade que as mulheres enfrentam para trabalhar nesse meio. “Elas precisam lidar com o assédio, a discriminação, a imposição de um padrão estético, a ausência de exemplos, a desconfiança. É muito mais complicado realizar um trabalho competente tendo que passar por tantos obstáculos que não deveriam ser inerentes ao trajeto de nenhuma carreira profissional”, afirma Leda.


Mesmo com tantos desafios, uma nova geração de jornalistas almeja trabalhar nessa área. O professor Filipe Mostaro, da Faculdade de Comunicação Social da Uerj, iniciou o projeto Escola de Narradores, que visa dar aos alunos a oportunidade de treinar a prática da narração. Os estudantes realizaram ao vivo a cobertura dos jogos da Copa do Mundo de 2022 e, dos 40 participantes do projeto, 20 foram mulheres. “Queremos dar espaço para que as meninas participem e se interessem, cada vez mais, pela transmissão esportiva”, explica Mostaro.


A Escola de Narradores recebeu um retorno positivo de jornalistas renomados. Renata Mendonça, comentarista do SporTV, enviou uma mensagem de incentivo às alunas. "Quando eu estava na faculdade, descobrindo o que gostaria de ser como jornalista, eu não tinha a possibilidade de sonhar em ser comentarista, porque não haviam mulheres desempenhando essa função, então, era como se não existisse uma possibilidade de carreira para mim”, declara Renata.


“Fico muito feliz em saber que as mulheres dentro da faculdade já conseguem sonhar e viver essa experiência”, completa a comentarista. A presença feminina em narrações e em outros âmbitos do esporte é uma referência para meninas que sonham com isso. Jornalistas como Renata Mendonça servem de inspiração para que outras queiram fazer o mesmo.

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