Mulheres ainda enfrentam desafios no meio esportivo
- Rafaela Antico
- 14 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de jan. de 2023
Apenas 4% da mídia esportiva é destinada ao esporte feminino, segundo estudo
da Unesco.

Preconceito e disparidade de oportunidades. Os esportes que por muito tempo
foram dominados pelos homens têm visto, cada vez mais, a chegada de mulheres
no nível profissional. Mas a equidade de gênero nos esportes ainda está
caminhando a passos lentos. Segundo dados da Unesco, cerca de 4% do espaço
midiático é dedicado às modalidades praticadas por mulheres. As atletas buscam
não só mais visibilidade como também almejam salários e premiações iguais
àqueles dados aos homens.
Em 2019, a seleção americana de futebol feminina fez história ao processar a
Federação Americana de Futebol (U.S. Soccer), pois apesar de terem mais títulos,
ganhavam quatro vezes menos que a seleção masculina. Elas denunciaram a
discriminação salarial e conseguiram igualar os salários de ambas as seleções.
A desigualdade salarial entre gêneros não se limita ao futebol, e muito menos aos
Estados Unidos. Para uma comparação básica, a atleta brasileira Marta possui seis
títulos de melhor jogadora do mundo pela Fifa, enquanto Neymar nunca recebeu o
prêmio. Porém, o jogador recebe 290 mil dólares por gol, enquanto a melhor do
mundo recebe 3,9 mil dólares. Claramente a visibilidade, remuneração e condições
de trabalho são muito diferentes entre os dois atletas.
A questão da desigualdade de gêneros no esporte começa desde muito cedo. Na
infância, a menina vivencia suas primeiras experiências relacionadas ao assunto,
mesmo que não compreenda naquele período. À medida que almeja uma possível
projeção na carreira esportiva, passa a ver os diferentes tratamentos que ocorrem
entre meninos e meninas.
Segundo a surfista profissional Julia Duarte, de 20 anos, as mulheres são menos
incentivadas a ingressar no esporte profissionalmente. As próprias famílias, de
modo geral, recuam no apoio às atletas quando elas estão prestes a entrar em
categorias de alto rendimento, e incentivam carreiras mais convencionais e seguras.
Seguir uma carreira esportiva ainda é muito instável para as mulheres no Brasil,
uma vez que há baixa visibilidade da mídia e pouco interesse de patrocinadores em
apostar no esporte feminino.
Julia Duarte colecionou troféus em 2022. Foi campeã carioca, campeã do circuito
Brasil Surf Tour e é a atual líder do ranking brasileiro. Mesmo com tantas vitórias, a
atleta ainda não possui um patrocinador. “O patrocínio é muito importante para um
competidor. Faz total diferença para que um atleta consiga ir às competições, pagar
as inscrições e os custos, além de ser um incentivador”, declara a surfista.
“No Brasil, as marcas apoiam mais os homens, e quando apoiam as mulheres nem
sempre é porque surfam mais. As marcas levam em conta outros motivos como
beleza e número de seguidores”, completa Julia.
De acordo com a professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e
Esporte da Uerj, Leda Maria da Costa, o problema é antigo, estrutural e influencia
diretamente a sociedade atual. A grande mídia, no geral, foca e transmite mais as
disputas esportivas masculinas. A população, por sua vez, moldada a partir do
pensamento da sociedade patriarcal, ainda considera atletas femininas com menor
potencial em termos de desempenho do que os atletas masculinos. Por
consequência, elas são menos valorizadas.
Uma conquista alcançada foi a aprovação do Projeto de Lei 321/21, da deputada
Rosangela Gomes (Republicanos-RJ), que premia homens e mulheres de modo
igualitário nos esportes. O projeto proíbe premiações desportivas desiguais quando
o custeio for de recursos públicos, com direito a multa a quem não cumprir a
determinação. A lei é um grande avanço para o esporte feminino no país.


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