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Moda Y2K: o impacto das redes sociais no sucesso da tendência nostálgica

  • Foto do escritor: Ana Júlia Brandão
    Ana Júlia Brandão
  • 20 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Do TikTok ao Instagram, as peças que foram sucesso durante os anos 2000 voltaram a dar as caras e têm feito sucesso com a Geração Z


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Peças futuristas, nada minimalistas, coloridas, mini saias, cintura baixa, miçangas e misturas de estampas compõem um grande núcleo de itens que podem ser vistos a todo momento nas prateleiras das lojas ou nos desfiles de moda. As tendências que marcaram o início do milênio começaram a aparecer de maneira sútil no ano de 2020, ganharam força ao longo de 2021 e se concretizaram em 2022. O controverso e polêmico estilo conhecido como Y2K (abreviação de “Year 2000”, anos 2000 em português) está instaurado em quase tudo que é comercializado atualmente, desde o mercado da alta costura, com referências e ressignificações, até marcas esportivas e lojas de fast fashion, que produzem em grande escala, com itens fabricados e consumidos rapidamente.

Muitas celebridades mundialmente conhecidas, como Dua Lipa, Kali Uchis, Kendall Jenner e a brasileira Anitta apostam as fichas na estética Y2K. Entretanto, com o crescimento da influência digital, são as redes sociais que ocupam e exploram um espaço fundamental para diversos mercados e com a moda não é diferente. Diversas peças voltaram a ser itens de desejo e consumo por parte do público graças ao poder fornecido pelas diferentes plataformas digitais.


Pertencente ao ramo musical, Letícia Ferreira, de 21 anos, conta que foi bastante influenciada com a retomada dos anos 2000 em séries, filmes e, principalmente, pelas redes sociais. “Tudo isso trouxe um sentimento de nostalgia, eu era criança e lembro de adorar as roupas que via as meninas mais velhas usando. Nos últimos anos, eu tenho me importado mais com a forma que eu me expresso através do meu estilo, e me encontrei bastante no Y2K, acho que tem bastante a ver com a minha personalidade”, disse Ferreira.


Também nascida no início do milênio, a estudante de Direito, Luiza Guerço, adepta ao estilo Y2K, afirma que sempre gostou de alguns itens, mesmo quando estavam fora da moda, e que com o retorno dessas tendências, consegue achar muitas coisas com mais facilidade nas lojas. “Eu sempre gostei bastante da cultura dos anos 2000 porque eu sou muito saudosista e entrei no embalo quando começou a ser mais valorizado nas redes sociais”, contou a univesitária.


Recentemente muitos itens que originalmente pertenciam aos anos 2000 ressurgiram no mundo da moda justamente por conta da influência das redes sociais. A hashtag #Y2K no TikTok acumula mais de 11 bilhões de visualizações, por exemplo. Influenciadoras de moda como Natália Cangueiro, Malu Camargo e Malu Borges, acumulam juntas mais de 10 milhões de seguidores no Instagram e TikTok, sendo consideradas referências quando o assunto são peças que remetem aos anos 2000.

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Da esquerda pra direita: Natália Cangueiro, Malu Camargo e Malu Borges | Reprodução: Instagram

A ressignificação e a "reciclagem" de tendências envolve a comunicação estética, memorial e comercial. É a partir de um padrão de referências e de reaproveitamento de estilos que poderemos entender como esses ciclos de retorno podem ser considerados fenômenos culturais. Replicar algo diversas vezes e mesmo assim continuar inovando, atraindo público e, principalmente, vendendo e lucrando em cima desse movimento. A moda se trata de um mecanismo que está em constante evolução, se transformando em uma expressão artística e influenciando cada vez mais pessoas a seguirem tendências, uma característica , no mínimo, interessante.

Já vivenciamos diversos períodos onde tendências foram revividas, algumas pessoas acreditam que tudo volta cerca de vinte ou trinta anos depois de seu primeiro período de glória, o que observamos nos últimos tempos. Recentemente, podemos notar uma sequência que segue dos anos 80, passando pelos 90 e chegando aos anos 2000 com muita força. O retorno das calças flare, inspiradas nos modelos boca de sino da década de 70, as blusas croppeds que fizeram grande sucesso nos anos 90 e retornaram com força às lojas na última década, são exemplos reais da ciclicidade do mundo fashion. Este curso de reutilização de objetos clássicos na moda acontece através da contemplação de elementos nostálgicos.

Esse sentimento de saudosismo contamina a geração dos millenials quando o assunto é Y2K e também causa o mesmo efeito na juventude da Geração Z, que não viveu a mesma época, mas aderiu à moda por conta do recente sucesso nas redes sociais. Tanto Letícia quanto Luiza, afirmam que consomem muito conteúdo ligado à moda através do TikTok e que a plataforma de entretenimento foi a principal porta para que mergulhassem no estilo e acabassem sendo influenciadas diversas vezes por vídeos, comprando algum item ou reproduzindo um jeito de se vestir, por exemplo.

Esse ciclo de tendências, que para muitos pode ser visto apenas como um fenômeno comum, mostra que o sentimento de nostalgia é fundamental para o mercado da moda. A cultura pop em geral está sempre em constante modificação, em diversos quesitos. O resgate de seus ícones influencia áreas que fazem parte deste meio e com a moda não é diferente.


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