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Lula recupera a política externa no início do mandato

  • Foto do escritor: Simone Nascimento
    Simone Nascimento
  • 16 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

Novo governo investe no ambiental, na reaproximação com vários países e volta a fazer parte do Celac.


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Reprodução: Fátima Meira / Futura Press / Estadão Conteúdo

Após os atos terroristas cometidos por bolsonaristas radicais em Brasília, no dia 8 de janeiro, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu a solidariedade de diversos líderes mundiais, que repudiaram o ataque à democracia brasileira. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também foi contatado e recebeu o apoio de mais de trinta chanceleres de diferentes países.


Segundo analistas, as chances de ruptura democrática a curto prazo são pequenas e a identificação e punição dos mentores e financiadores dos atos terroristas fortaleceriam ainda mais a democracia. Ainda de acordo com especialistas, com a mudança de governo, o Brasil não sofrerá um isolamento. Durante o governo Bolsonaro, a diplomacia sofreu mudanças bruscas. Declarações feitas pelo então presidente afetaram diretamente as relações com outros países transformando o Brasil em uma espécie de pária internacional.


O novo governo busca o diálogo para reparar a diplomacia brasileira e fez escolhas como, Mauro Vieira e Celso Amorim, que foram bem recebidas por especialistas. Ambos formados pelo Instituto Rio Branco e diplomatas de carreira. Vieira já exerceu o cargo de Ministro das Relações Exteriores no governo Dilma Rousseff entre 2015 e 2016. Amorim, nomeado chefe da Assessoria Especial do presidente, foi Ministro das Relações Exteriores entre 2003 e 2011.


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A cerimônia de posse, em 1º de janeiro, teve número recorde de chefes de Estado e autoridades estrangeiras, mais de cem países enviaram representantes. Quase todos os presidentes da América do Sul compareceram, exceto os da Venezuela e Peru.


Desde então já foram firmados 15 encontros bilaterais sendo acertada uma viagem para a Argentina no dia 23 de janeiro, para participação na reunião da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). O Brasil voltou a integrar o grupo, após ter sido retirado por Bolsonaro em 2020, que alegava divergências ideológicas.


A França, cujo presidente enfrentava desavenças por conta de ações por parte de Jair Bolsonaro, também declarou seu apoio ao governo Lula. Macron foi um dos primeiros líderes mundiais a parabenizar Lula pela vitória, e declarou se tratar de “uma notícia formidável”, sinalizando o fim do distanciamento entre o país europeu e o Brasil.


BRICS e Mercosul


Lula, que está em seu terceiro mandato, aposta na retomada das relações exteriores aos antigos patamares e deve reaproximar o Brasil dos países vizinhos na América Latina e dos grandes parceiros comerciais. O governo petista já demonstrou que a reaproximação com países vizinhos é tida como prioritária, e avaliado positivamente pelo cientista político, Luciano Cerqueira, que aponta a chance do Brasil atuar como um motor para impulsionar o crescimento do Mercosul.


As relações com a China, que desde 2009 é o maior parceiro comercial do Brasil e responsável por mais de 30% das exportações, também devem receber atenção especial. A China passou a investir em projetos agrícolas na África, em agosto passado deu o primeiro passo para um acordo com o Mercosul, o que seria muito importante para o Brasil, analisam os especialistas.


Com a candidatura do Brasil para ingressar na Organização para Coordenação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sendo apoiada pelos Estados Unidos, durante o governo Trump, surgiram tensões entre os países do BRICS, bloco econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A entrada do Brasil na OCDE pode gerar consequências indiretas para outros países do BRICS. Durante o pior momento da pandemia, nem a China e nem a Índia priorizaram o acesso do Brasil aos insumos para fabricação de medicamentos.


Agenda Ambiental


No dia seguinte à vitória do petista, em 31 de outubro, a Noruega anunciou o desbloqueio de pouco mais de R$ 2,5 bilhões do Fundo Amazônia, no mês seguinte a Alemanha anunciou a liberação de verbas para o Fundo, esses valores ficaram congelados durante o governo Bolsonaro.


Um dos acenos dessa retomada já havia sido dado em novembro passado, pouco depois das eleições, quando Lula, que ainda não havia sido empossado, foi convidado pelo presidente do Egito para discursar na COP-27 (Conferência das Partes) da Organização das Nações Unidas (ONU). Geralmente esse convite para participação é feito ao presidente em exercício.


Na COP-27, que discute mudanças climáticas, Lula discursou sobre o Brasil voltar ao cenário internacional, ter novamente protagonismo ambiental e cumprir o Acordo de Paris (objetivo de conter o aquecimento global). Sua participação repercutiu mundo afora sendo destaque em veículos como Der Spiegel, La Nación, Le Monde e The New York Times.


O cientista político Thales Souza Reis avaliou a situação da agenda ambiental como uma oportunidade de estreitamento de laços, mas alertou que a questão do protecionismo do governo francês em relação a seus agricultores pode ainda ser um problema para o comércio entre os dois países.



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