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Greenwashing: A maquiagem da falsa sustentabilidade

  • Foto do escritor: Lorrane Mendonça
    Lorrane Mendonça
  • 21 de nov. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2022

Uso de falas e produtos com aproximação da temática ambiental para atrair consumidores foi assunto na COP-27


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Fonte: Instituto Propague

A COP-27 é o maior e mais importante evento sobre a questão das mudanças climáticas. A 27ª edição aconteceu entre os dias 6 e 18 de novembro de 2022 em Sharm El Sheikh, no Egito. Um dos principais pontos da conferência foi a elaboração de um relatório com recomendações para combater o greenwashing. O termo pode ser traduzido como “lavagem verde”, “banho verde” ou até mesmo “maquiagem verde”.


O recurso consiste na promoção de discursos, anúncios, propagandas e campanhas publicitárias com características ecologicamente e ambientalmente responsáveis, o que na realidade não é assim. Trata-se de uma máscara ou selo de "empresa legal", que esconda irregularidades. O documento foi lançado pelo Grupo de Especialistas de Alto Nível (HLEG), nomeado pela ONU.


O termo estreou em 1986, num ensaio do ativista norte-americano Jay Westervelt. No texto, ele criticava as ações de um hotel que solicitava aos hóspedes que reutilizassem as toalhas em prol dos recifes de corais da região. No entanto, os hotéis estavam em um processo de expansão, o que provavelmente causaria maiores danos aos corais, e o pedido seria unicamente baseado em uma tentativa de redução de custos.


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Fonte: girotti.com

O greenwashing tem a intenção de criar uma falsa aparência de sustentabilidade, induzindo o consumidor ao erro, uma vez que, ao adquirir determinado produto ou serviço, ele acredita que está contribuindo para causas ambientais. Muitas vezes, a intenção da propaganda é relacionar as ações da marca às informações de defesa do meio ambiente, geralmente com palavras-chaves ou ilustrações da natureza.


Muitas das vezes essas ações da empresa em questão não apenas deixam de corresponder às suas promessas como também são responsáveis diretas por prejudicar o meio ambiente. Beatriz Rabelo, licenciada em geografia e mestranda em Gestão e Planejamento ambiental, explica à nossa redação que "o greenwashing pode aumentar a disseminação de fake news sobre as questões voltadas para o meio. Dando a entender que as empresas estão fazendo um bem comum, quando na verdade estão 'maquiando' as más práticas realizadas".


Uma pesquisa realizada pela Idec analisou mais de 500 embalagens de itens de limpeza, higiene e utilidades domésticas para avaliar a prática do greenwashing. A pesquisa notificou dezenas de organizações do Brasil com propagandas enganosas, descobrindo casos de produtos que, apesar de carregar um apelo sustentável, não haviam comprovações de tais práticas.


Um exemplo comum são os itens veganos, como cosméticos por exemplo, que apesar da indicação na embalagem, não listam certificações ou ingredientes em sua descrição. "É preciso se informar, entender os termos estabelecidos pelas empresas e os selos recebidos que compõem as marcas, pois evitando a prática, evitamos a desinformação e más práticas no cenário capitalista. Podemos mudar isso através de políticas públicas que proporcionem o licenciamento de empresas a partir das boas práticas estabelecidas com o meio", concluiu Beatriz.


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