top of page

Fast Fashion: da moda descartável à inimiga do meio ambiente

  • Gabriella Sackey & Lorrane Mendonça
  • 12 de dez. de 2022
  • 3 min de leitura

Produtos são produzidos em maior velocidade e descartados em um curto período de tempo, causando graves danos ambientais


ree
Reprodução: Thred.com

A 6ª edição do Brasil Eco Fashion Week aconteceu de 1 a 6 de dezembro, em São Paulo. A semana da moda sustentável tem o objetivo de promover práticas sustentáveis na indústria da moda brasileira. Um dos pontos principais do evento foi o combate ao fast fashion, um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de uma forma mais rápida.


Essa produção em massa de roupas utiliza réplicas de tendências high fashion (moda exclusiva, em português) e materiais de baixa qualidade para trazer estilos baratos ao público. Essas peças resultam em um movimento de toda a indústria que produz quantidades avassaladoras de consumo, gerando impactos prejudiciais ao meio ambiente e aos trabalhadores do setor de confecções.


“Esse modelo estimula um consumo desenfreado e desnecessário. O público está condicionado a pensar que precisa consumir mais devido ànecessidade das marcas em sempre ter que renovar seu estoque. O preço do fast fashion é baixo e as pessoas que produzem são extremamente exploradas, sem condições dignas de trabalho e remuneração de centavos, produzindo com tecidos 99% de poliéster. Esse cenário vem sendo exposto e muitas pessoas estão começando a se preocupar em não fazer parte desse consumo tão injusto com o ser humano e a natureza”, explica Ludmila Heringer, designer de moda sustentável que participou do Eco Fashion Week.


Jornadas diárias de 12 até 14 horas, uso de mão-de-obra infantil, locais de produção com instalações degradantes e salários insignificantes são a realidade de muitos trabalhadores da indústria do fast fashion. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 85% dos empregados da indústria da moda são mulheres. Em sua maioria, são jovens de países em desenvolvimento, como Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Índia, entre outros. Elas trabalham em condições inadequadas, produzindo roupas em maior velocidade para atender as demandas dos consumidores e da fábrica.


ree
Reprodução: Diferencial

As mídias sociais desempenham um papel importante na propagação desse modelo, usuários de plataformas digitais como Instagram, TikTok, e YouTube são bombardeados por novas informações todo momento. A tendência de induzir o consumo nas redes sociais contribui para o crescimento da indústria do fast fashion, as pessoas são influenciadas a comprar a cada publicidade de uma marca ou por um simples vídeo feito por um influenciador digital.


Para Ludmila, as mídias sociais muitas vezes estimulam nos indivíduos a necessidade de ter um determinado produto. "As ditas influenciadoras são vendedoras de marcas que precisam escoar a coleção atual para colocar a nova na venda, ela está sendo paga para estimular os seguidores a comprar, infelizmente poucas se importam com o produto que usam: feito de quê, por quem e como. Não tem consciência ambiental e social alguma", afirmou a designer.


A ONU considera os corantes têxteis a segunda maior fonte de poluição da água, O número de micro-fibras no oceano é maior devido ao uso de tecidos à base de combustíveis fósseis. A moda rápida é responsável por 8 á 10% da emissão de carbono que causam mudanças climáticas, conforme a organização a moda venha a ser responsável por um quarto da produção global de carbono até 2050.


ree
Reprodução: Martin Bernetti /AFP - 24.09.2021

O lixo têxtil também é uma consequência da lógica da moda descartável, leva cerca de 200 anos para se desintegrar. Fotos de montanhas de lixo têxtil no deserto do Atacama, no Chile, circularam pela internet em novembro de 2021 e causaram um grande impacto no mundo. O local se transformou em um grande "lixão da moda", em consequência do uso excessivo e rápido das roupas e de seu descarte irregular. As consequências do fast fashion é uma das razões pela qual a moda sustentável está sendo incentivada.


“A moda sustentável tem a responsabilidade de reconduzir o consumidor para uma reflexão sobre o que estamos fazendo com as pessoas, a natureza e o planeta. Também trouxe um resgate para técnicas ancestrais como crochê, bordados, rendas e tingimentos naturais. Vejo também que vem mostrando os aspectos negativos desse consumo desenfreado, de materiais sem qualidade esão descartados em lixões e demoram séculos para se decompor”, conta Ludmila.


Comentários


bottom of page