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Epidemia tripla está em circulação no Brasil, afirma OPAS

  • Ellen Alves & Lisandra de Oliveira
  • 12 de dez. de 2022
  • 3 min de leitura

Organização Pan-Americana de Saúde informa que os vírus da covid-19, influenza e VSR estão presentes nos hemisférios norte e sul. Especialistas afirmam que não há motivo para pânico.


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Reprodução: Shutterstock

A coexistência de três vírus que provocam doenças respiratórias foi confirmada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em novembro. Os dados epidemiológicos apontam a circulação dos agentes infecciosos da covid-19, da influenza e do vírus sincicial respiratório (VSR) no Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile e Uruguai.


Especialistas brasileiros indicam que não há motivo para preocupação em relação à tripledemia no país. A pneumologista Dra. Patricia Canto Ribeiro, membro da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOPTERJ), explica que no Brasil a situação não é grave por conta da chegada da estação mais quente do ano.“Para os brasileiros agora no verão é um período mais tranquilo, em tese, devido aos espaços mais abertos e ventilados, e isso reduz a transmissão de viroses respiratórias.” Porém, surtos de coronavírus independem da estação do ano porque está ligado ao surgimento de novas cepas, ressalta Ribeiro.


Já nos EUA houve um aumento no número de casos e de superlotação nos hospitais. Segundo Canto Ribeiro, o país do hemisfério norte está sofrendo mais com as três cargas virais, pois o período de transição das estações outono e inverno favorece a propagação de doenças infecciosas.


Com o isolamento social causado pela pandemia do coronavírus, a população mundial perdeu o contato com antigos vírus, como VSR e da gripe, o que fez com que a imunidade contra esses agentes infecciosos fosse perdida. Após o avanço da vacinação contra a Covid-19, houve a redução nas medidas de distanciamento e as pessoas voltaram a conviver com os patógenos, aumentando o contágio. O prolongamento do frio em diversas regiões brasileiras ajudou na circulação desses micro-organismos.


Os três vírus apresentam sintomas parecidos. Fadiga, dores musculares, coriza, febre e dor de garganta são os principais sinais, e em caso de piora é preciso procurar atendimento médico, principalmente para crianças, idosos, pacientes imunossuprimidos ou com comorbidades, como diabetes e hipertensão. É importante a testagem para um melhor tratamento.


Casos em crianças e a baixa vacinação


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Reprodução: Rawpixel

O Boletim InfoGripe da FioCruz, publicado no início de dezembro, demonstra a presença expressiva de casos de VSR em crianças de zero a quatro anos em São Paulo, além da retomada do crescimento nesse público nos três estados da região Sul. A população infantil é a mais afetada pelo vírus sincicial respiratório, já que atinge as vias aéreas inferiores, causando bronquiolite, pneumonia e broncopneumonia.


Para prevenir a doença é importante evitar aglomerações, manter uma boa higiene das mãos, uso de máscaras, além do aleitamento materno. Ainda não existe um imunizante para VSR, mas no último mês, o laboratório Pfizer anunciou resultados positivos para uma vacina que deverá ser administrada em gestantes possibilitando a passagem de anticorpos. A eficácia é de 82% na prevenção de casos graves. O secretário do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dr. Eduardo Jorge de Fonseca Lima, disse que uma nova opção de anticorpo foi aprovada e que pode ser administrada em dose única em crianças.


A baixa taxa de vacinação entre crianças contribui para que ocorra um crescimento nos quadros de Covid-19 e influenza. “Para Covid, o total de crianças de 3 a 11 anos que estão totalmente imunizadas é de apenas 36,8% da população desta faixa etária. Para a influenza, não conseguimos vacinar nem 75% das crianças”, afirma Fonseca Lima. Desde 2015, as coberturas vacinais do Brasil vêm sendo reduzidas progressivamente.


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Fonte: Painel de Campanha Nacional de Imunização Contra a Influenza 2022. * Os grupos específicos correspondem exclusivamente aos grupos prioritários de crianças, trabalhadores na saúde, gestantes, puérperas, indígenas, idosos e professores

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin anunciou no começo deste mês, como medida imediata do novo governo Lula, uma campanha nacional de vacinação contra a Covid-19 no início de janeiro. A intenção é imunizar crianças para aumentar a cobertura vacinal deste grupo.


Alckmin disse que é preciso conscientizar a população para evitar mortes causadas por doenças que já possuem vacinas disponíveis. O coordenador do gabinete de transição destacou que a ação será organizada com outros ministérios porque a exigência da vacinação poderá ser necessária nas matrículas das escolas e no cadastro para o Bolsa Família.




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