Entenda por que o Brasil domina o surfe mundial
- Rafaela Antico
- 21 de nov. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de nov. de 2022

Seis títulos mundiais. Um ouro olímpico. Nos últimos oitos anos, os brasileiros dominaram o mundo do surfe. O país se habituou a vencer etapas da World Surf League (WSL) e a ser maioria no ranking mundial. Parecia distante vislumbrar uma mudança no cenário do surfe, que era tradicionalmente dominado por havaianos e australianos, porém, os brasileiros trouxeram inovação e radicalidade para o esporte e conseguiram levar o país ao lugar mais alto do pódio.
Tudo começou em 2014, quando o Gabriel Medina foi campeão do mundo e trouxe a taça pela primeira vez para o Brasil. A partir de então, muita água rodou e mais títulos vieram. Adriano de Souza, o Mineirinho, se consagrou campeão mundial no ano seguinte de Gabriel. Depois dele, Ítalo Ferreira e Filipe Toledo também levaram o troféu para casa.
O destaque dos brasileiros na última década foi tão grande que até apelido a nova geração recebeu. Brazilian Storm, ou a “tempestade brasileira", foi o nome criado pela imprensa americana para se referir aos surfistas brasileiros que se destacaram no esporte. E o termo se popularizou de vez com a série de resultados expressivos em competições internacionais de atletas.

Em 2018, das 11 etapas do circuito mundial de surfe, os brasileiros venceram nove (81,8%), um completo domínio em relação aos tradicionais rivais. Já em 2021, foram sete etapas com brasileiros em todas as finais, e cinco vitórias. No mesmo ano, quando o surfe se tornou um esporte olímpico, os favoritos para conquistarem a medalha eram os brasileiros Gabriel Medina e Ítalo Ferreira. E quem garantiu o primeiro ouro da história do surfe em Olimpíadas foi o nordestino Ítalo Ferreira, de 27 anos.
No ano de 2022, durante a etapa do Oi Rio Pro, realizada em Saquarema, no Rio de Janeiro, mais um momento histórico aconteceu. Quatro surfistas brasileiros se classificaram para as semifinais. Foi a primeira vez que a disputa ficou totalmente verde e amarela. Filipe Toledo, Samuel Pupo, Ítalo Ferreira e Yago Dora disputaram as ondas de Saquarema até o último minuto. O troféu do Oi Rio Pro 2022 ficou no Brasil com o paulista Filipe Toledo, de 26 anos.
A geração que ficou conhecida como a “tempestade brasileira” veio muito bem preparada e com muita competitividade, como descreveu Rick Lopes, locutor esportivo há mais de 15 anos e apaixonado pelo surfe. “Essa geração não só levou o Brasil para o pódio como também foi responsável pela difusão massiva do esporte que agora está na boca do povo. O surfe cresceu muito no país e a expectativa agora é de que as próximas gerações se inspirem nessa e continuem fazendo muito barulho dentro da água”, comentou Rick.
Rick trabalha como locutor em eventos nacionais e internacionais de surfe e consegue ver de perto a nova geração de surfistas que está se formando. Ele enfatizou a importância do apoio para as próximas gerações. “Muitos atletas que se destacaram por suas habilidades foram patrocinados para que pudessem se desenvolver. Para que o Brasil mantenha a conquista atual, de país do surfe, é preciso investimento nas bases do esporte e no descobrimento de novos atletas”, declarou Rick.


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