Embora não seja um vilão, metaverso traz alguns riscos
- Emilly Veiga

- 17 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
Apesar de promissor, o mundo virtual deve ser usado e adotado com cautela
Pexels/SHVETS production
Diversos estudos relacionados aos riscos à saúde mental e o metaverso estão surgindo, o mais recente deles foi realizado por profissionais de psiquiatria em um artigo online. Esse estudo abordou os possíveis agravamentos de distúrbios mentais, que podem levar à classificação de novas doenças de saúde mental.
Foi relatado em pesquisas anteriores que experiências negativas, violentas ou abusivas do usuário no mundo virtual podem incitar respostas psicológicas e fisiológicas semelhantes no mundo real de um indivíduo. O caso mais recente, foi o avatar virtual 3D de uma mulher abusada sexualmente por outros avatares em sua vizinhança na plataforma digital de realidade aumentada Horizon Worlds do Meta. A vítima do caso descreveu a natureza dessa experiência como surreal e mentalmente traumatizante.
Apesar de os estudos serem baseados nas ferramentas virtuais que possuímos atualmente, pensar através delas não é incorreto. As redes sociais são um pré-mundo de realidade aumentada, onde o cérebro e o indivíduo acabam dependendo gradualmente da experiência prazerosa que eles oferecem para sentir-se bem. Tais aspectos eventualmente se transformam em um vício com consequências adversas.
Segundo a psicóloga Claudia Tallemberg, atual professora do Instituto de Psicologia da Uerj, os principais quadros de transtorno mental que podem estar associados ao meio digital, envolvem os modos de produção deste mundo virtual. Nesse caso, se uma pessoa necessita da aprovação nas mídias sociais, a plataforma ajudaria a piorar o quadro desse indivíduo, devido à exploração da plataforma na questão de gerar conteúdo. Podendo intensificar determinadas situações por conta do avanço do metaverso.
Imaginemos um cenário onde um post seu recebe 100 mil curtidas, para alcançar essa realização novamente você se torna cada vez mais dependente de postagens e da produção de conteúdos. As redes sociais foram pensadas para que você ficasse horas do seu dia rolando o feed, além de ser construída para te causar vício na rede.
Tallemberg explica que isso acontece porque a pessoa se torna dependente daquela rede social, e transforma a plataforma no único meio de socialização. "A saúde mental é prejudicada à medida que meu universo fica restrito a um só território. A relação que você vai estabelecer com a plataforma e o dispositivo importa. As relações amorosas tóxicas, por exemplo, são um ótimo contraponto. Ela está no mundo real, mas ela pode ser tão alienante quanto outras relações, até mesmo com a plataforma", conclui a professora.
O metaverso está presente e se trata de um processo irreversível
De acordo com Tallemberg, o problema do metaverso está no interesse econômico, e de como eles trabalham para manter as pessoas nessas plataformas. "O metaverso é uma proposta real, o problema não está nele. E sim como ele é vendido para as pessoas", afirma a psicóloga.
O investimento de um longo tempo em um ambiente digital apresentam a capacidade de instigar os seres humanos a darem preferência ao mundo virtual no lugar da realidade. Isso se dá devido ao mau uso que se faz delas. Para a professora de Psicologia, isso não é novidade, questões semelhantes sempre surgem com o aparecimento de novas tecnologias. A mesma tenta pensar de um ponto de vista mais positivo.
"Quando se propagou a televisão, houve um discurso semelhante de que ela iria acabar com a juventude, devido a seu poder de alienação. O mesmo se encaixa no metaverso, eles apresentam a distração, porém conseguem produzir coisas boas também", relembra Tallemberg.
A professora traz uma alusão ao experimento do Watson para explicar esse fenômeno, e explica que se um indivíduo tem poucos estímulos ele é suscetível a ficar dependente daquilo que propõe mais prazer. "A presença de um só estímulo é prejudicial, mas se eu tiver mais de um, não. Apesar de ser mais complexo devido à própria influência da economia".
Apesar de importantes, os avanço dessas novas tecnologias ainda é posto em evidência pela psicóloga, devem sempre ser seguidas de novos processos de regulamentação, para poder haver limites éticos, pois mesmo que uma sociedade seja virtual ela ainda continua sendo uma realidade para algumas pessoas.




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