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Eleição de Lula divide opiniões sobre economia

  • Foto do escritor: Enzo Tomaz
    Enzo Tomaz
  • 29 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura

Escolhido para governar o país a partir de 2023, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gera dúvidas em uns e certezas em outros.


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Ibovespa em alta e o Dow Jones em queda. Esse foi o resultado apresentado na segunda-feira, dia 31 de outubro, logo após a escolha de Lula como 39° presidente do Brasil, no último dia 30 do mesmo mês. A disputa foi extremamente acirrada e terminou com a vitória de Lula por uma margem apertada de diferença do seu adversário e atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro.


É esperado que o futuro presidente comece a anunciar os nomes que irão compor os ministérios na próxima semana, afirmam aliados, embora durante a campanha, Lula não tenha feito nenhuma sinalização sobre possíveis escolhas. Dentre as nomeações, a que gera maior expectativa é em relação ao Ministério da Economia, principalmente porque o atual presidente e o recém-eleito pensam de maneiras opostas, gerando ansiedade na população, em especial para os investidores.


Segundo a gerente de investimentos do banco Itaú Anne Rodrigues, se por um lado, grande parte dos investidores do mercado local preferiam Bolsonaro, por pensar em investimentos mais conservadores e em diversificar em ativos internacionais. Por outro, a postura dos investidores estrangeiros é mais favorável a Lula, devido à força que este possui em suas relações internacionais, além de o considerarem menos extremista.


Rodrigues também diz que o temor por parte dos investidores costuma variar conforme o seu grau de profissionalismo. De acordo com ela, os investidores não profissionais que atende têm receio quanto ao aumento de corrupção, juros e inflação. Já os especialistas comentam sobre o receio com a questão fiscal, ou seja, se o próximo governo conseguirá balancear a parte social com a fiscal, sem um gasto muito acima do teto planejado, o que geraria maior inflação e juros altos por um período prolongado.


Segundo a gerente, o motivo de Lula conseguir manter essa boa imagem, mesmo diante de tantas acusações, se deve às boas relações que ele teve com outros países durante seu governo. “Em contrapartida, Bolsonaro, que acabou piorando a sua imagem com a má gestão da pandemia e falta de preocupação com o meio ambiente, é visto como um “Trump brasileiro”. Anne acredita que esses pontos pesaram mais do que os escândalos de corrupção, pois, segundo ela, estes “não foram e continuam não sendo novidade por aqui”.


Ainda sobre o governo Bolsonaro, Anne diz que a tentativa do presidente de honrar com sua promessa de responsabilidade fiscal não surpreende os economistas, e que os gastos com a pandemia e suas consequências foram expressivos, e que a conta ainda vai chegar.


Ela ressaltou que a parte fiscal seria um grande desafio de qualquer um que assumisse o governo, e que essa é a principal preocupação por parte dos investidores, principalmente dos estrangeiros, já que governos de esquerda tendem a serem mais expansionistas. “As últimas declarações mostram esse viés.” disse ela, referindo-se a uma fala do presidente eleito no último dia 10 em um evento no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. No evento, Lula questionou: "Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal nesse país? [...] É preciso fazer tetos de gasto?[...]”.Tais declarações tiveram como efeito uma grave desvalorização do real no mesmo dia, recuando 3,35%, o pior desempenho desde novembro de 2021, quando a bolsa caiu 3,39%.


A respeito de Geraldo Alckmin estar junto do Lula, ela diz que o ex-governador de São Paulo é visto como uma busca de Lula para estar mais ao centro, gerando algum sentimento de calma por parte de seus opositores e investidores.


É o que também pensa o ex-professor Paulo Edgar Melo, de 74 anos, formado em Economia e pós-graduado em Política e Planejamento Econômico pela Faculdade Moacyr Bastos. “Inicialmente eu acredito que ele foi trazido como um agregador de votos, principalmente por ele ser muito bem votado em São Paulo. Eu acredito também, conhecendo ele como político, que ele pode vir a exercer um poder moderador, para evitar que algumas medidas, que eu considero mais arbitrárias, possam ser tomadas.”


Outra coisa que tem gerado muita especulação são as possíveis mudanças do governo atual para o recém eleito, e o que pode voltar em relação à política econômica do primeiro governo de Lula. Sobre isso, o professor aposta em um desmanche da estrutura criada por Bolsonaro, uma tendência normal da política brasileira, a nível municipal, estadual e federal.


Quanto aos primeiros governos de Lula, ele não espera grandes mudanças. “Inicialmente o que eu vi foram promessas de medidas populistas, algumas que nem saíram do papel, outras que foram abandonadas, e eu acredito que vai continuar assim. O próprio Lula disse que ele não pretende mudar muito, que ele só ficou mais maduro. Eu acho que ele vai aumentar a intervenção do governo na iniciativa privada, que vai se colocar em oposição ao agronegócio. Eu imagino, com base nessas e outras declarações, que isso vai gerar problemas sérios.”


A respeito dos cinco principais nomes que são especulados para o ministério da economia (Fernando Haddad, Alexandre Padilha, Rui Costa, Henrique Meirelles e Pérsio Arida) e qual (ou quais) ele achava que tinham uma chance maior de entrar, o único que ele acredita que possa fazer um bom trabalho é Pérsio Arida, economista brasileiro e estudioso da nossa inflação, um dos idealizadores do Plano Real. “O Henrique Meirelles já foi ministro e não deixou a situação econômica do país tão boa. Quanto a Alexandre Padilha e Rui Costa, eu não tenho opinião própria quanto a eles. E o meu julgamento diz que o Fernando Haddad não tem a menor condição de ser ministro. Se eu fosse apostar, diria que o Pérsio seria o único a fazer um bom trabalho, mas é difícil dizer quem o Lula vai escolher.”


Sobre uma possível pressão para que ele siga um regime de responsabilidade fiscal, tanto pela população brasileira quanto pelo capital internacional, ele se mostra cético. “Na minha opinião, ele está pouco se lixando para isso, visto principalmente a forma de governar que ele defende. Eu imagino que ele vai agir conforme o que ele achar que é o certo segundo a cabeça dele. Ele inclusive já deu uma entrevista, recentemente, de que vai furar o teto de gastos. Eu sinceramente acho que não.”

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