Do luxo ao lixo: treinar a seleção é mau negócio
- Enzo Tomaz

- 6 de fev. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de fev. de 2023
As recusas de Guardiola, Zidane e Mourinho revelam a pressão que é treinar a seleção nacional.

“Um treinador que inspire a Seleção e que busque um padrão de jogo respeitando as características dos nossos atletas.”. Esse é o perfil procurado para ser o próximo treinador da seleção brasileira, segundo declaração do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, logo após o término da partida entre Palmeiras e Flamengo pela Supercopa do Brasil, no último dia 28, em entrevista ao site OneFootball.com.br.
Porém, parece que o histórico da seleção sozinho não é mais um atrativo para os técnicos estrangeiros, visto que alguns dos maiores técnicos da atualidade, como: Pep Guardiola (atualmente no Manchester City, campeão das últimas 4 temporadas da Liga Inglesa), Zinedine Zidane (ex-Real Madrid, campeão de três Champions League seguidas) e José Mourinho (atualmente na Roma, campeão com Manchester United, Internazionale e Real Madrid), recusaram.
Segundo declaração do presidente da CBF, a nacionalidade dos técnicos não é muito importante. No entanto, o fato de os três primeiros consultados serem estrangeiros conta outra história. Quem ajuda a explicar isso, é o professor da Uerj Filipe Mostaro, diretor e apresentador do podcast esportivo Passes e Impasses.
Segundo ele, os grandes técnicos gostam do trabalho diário, para que possam testar diferentes esquemas, de acordo com o talento de cada jogador, coisa que um técnico de seleção não pode fazer. “O técnico de seleção tem pouquíssimo tempo, aliada a pressão absurda que é treinar uma seleção. Além disso, falando da CBF, o técnico sabe que em alguns momentos será exigido que ele faça uma convocação x ou y, contra sua vontade.”, explica Filipe.
Muitos brasileiros se perguntam o porquê de buscar um técnico estrangeiro. Afinal, o país tem grandes mestres, como Dorival Júnior, recentemente campeão da Libertadores com o Flamengo; Fernando Diniz, que vem reformulando o time do Fluminense, com o seu famoso Dinizismo, com um futebol agressivo; dentre outras opções.
Filipe também ajuda a esclarecer essa dúvida: “O futebol se tornou um jogo muito mais dependente do preparo físico dos jogadores do que nunca. Ou seja, não basta ter um único membro talentoso, mas também de um conjunto muito forte.”. Ele ressalta que essa é a maior diferença entre a equipe da Argentina e do Brasil, onde Messi é amparado por um time que consegue se aproximar do seu desempenho. Filipe também diz que Tite é o melhor técnico brasileiro atualmente, e que se decepcionaria vendo outro brasileiro ser chamado para técnico.
Diante da expectativa da torcida brasileira, era esperado que tivéssemos uma resposta mais cedo. Segundo comunicado da CBF na última semana de janeiro, um novo técnico deveria ser anunciado entre o final do mês de janeiro e o início de fevereiro. Três nomes têm sido muito comentados entre os torcedores: Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras, que em três temporadas conquistou duas Libertadores, uma Copa do Brasil e um Campeonato Brasileiro; Luis Enrique, treinador da seleção espanhola na Copa do Mundo de 2022 e grande ídolo do Barcelona, onde conquistou a Copa do Rei por três edições seguidas; e Carlo Ancelotti, atualmente no Real Madrid e campeão da última edição da Champions League.

Mas isso provavelmente terá que esperar, pois, ainda que tenha prometido anunciar o novo comandante entre o final de janeiro e o início de fevereiro, Rodrigues tem dito a interlocutores que não tem pressa e que gostaria de um nome inquestionável acertado até março. Isso porque este é o mês em que a seleção fez seu primeiro amistoso pós copa. Ele também expressa o desejo de que, em um primeiro momento, esse técnico estivesse acima de críticas, segundo informações divulgadas pela Folha de São Paulo.








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