Câncer de mama em mulheres jovens cresce no Brasil
- Lisandra de Oliveira
- 22 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
A ocorrência da doença cresceu de 2% para 5% entre mulheres jovens em 2022.

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), os casos de câncer de mama ou neoplasia maligna em mulheres jovens, com menos de 35 anos, aumentaram nos últimos dois anos. A ocorrência cresceu 3% entre 2020 e 2022. Alguns fatores do estilo de vida da pessoa, como sedentarismo, obesidade, gravidez tardia (após os 30 anos) e alimentação inadequada podem estar relacionados a essa ampliação no número.
O câncer de mama em pessoas jovens é incomum e para ser diagnosticado é necessário um alto nível de desconfiança médica. Mulheres com idade igual ou inferior a 35 anos não fazem parte do grupo de rastreamento para a doença, pois a indicação para exames de prevenção começa a partir dos 40 anos. Tumores nessa faixa etária costumam ser mais agressivos, já que o diagnóstico é feito tardiamente. Os principais sinais ou sintomas são nódulos na mama, inversão do mamilo e vermelhidão na pele, porém, algumas pacientes são assintomáticas, o que dificulta a descoberta da doença.
No Brasil, todo paciente tem direito a tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma gratuita. Mulheres com câncer de mama ainda possuem acesso a medicamentos, exames, internações ou qualquer procedimento básico. Para iniciar o procedimento é preciso procurar uma unidade do SUS próxima da residência da pessoa. Dependendo do caso clínico, a paciente pode ser encaminhada para o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) ou para o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.
No dia 12 de setembro de 2022, o Ministério da Saúde publicou, no Diário Oficial da União, a portaria que incorpora ao SUS o medicamento Trastuzumabe Entansina, indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo. Trastuzumabe é uma medicação recomendada para quimioterapia no início da doença e também de forma paliativa para câncer com metástase. O site da Fundação Oswaldo Cruz disponibiliza mais informações sobre uso e possíveis reações ao remédio.
Cirurgia preventiva contra o câncer
A atriz Angelina Jolie anunciou, em maio de 2013, que passou por uma mastectomia preventiva (retirada das mamas) para reduzir as suas chances de desenvolver câncer de mama. Jolie publicou a decisão em artigo no jornal The New York Times intitulado My Medical Choice(minha escolha médica). No texto ela conta que fez essa escolha, pois a sua mãe sofreu por anos e morreu devido à doença.

Angelina Jolie afirma que, segundo seus médicos, ela tinha 87% de chance de ter câncer de mama, já que possui uma mutação genética herdada no gene BRCA1. Para a atriz, a sua feminilidade não diminuiu após a cirurgia de retirada das mamas. Essa é uma questão que afeta muitas mulheres negativamente porque, para algumas, os seios são fundamentais para a autoestima feminina.
O processo cirúrgico pelo qual a estrela de Hollywood passou consiste na retirada da glândula mamária com os ductos mamários para evitar a formação de tumores. Os riscos de desenvolver câncer podem reduzir até 90%.
A intervenção é indicada para mulheres com alta tendência genética de apresentar a doença, para aquelas que já tiveram em uma das mamas e desejam prevenir de ocorrer na outra, além das pacientes que descobriram o tumor precocemente para evitar o avanço da patologia. Esse procedimento é contraindicado para pessoas fumantes, com obesidade e comorbidades, como diabetes e hipertensão. É necessária uma avaliação médica para considerar cada caso.
O câncer de mama ou neoplasia maligna é a segunda mais frequente entre as mulheres e responsável pelo maior número de óbito por câncer entre pacientes no Brasil. De acordo com o Inca, foram estimados mais de 66.000 casos novos só em 2021.


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