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Campeonato Carioca acerta com Band, sem Vasco e Botafogo

  • Carlos Vinícius
  • 16 de jan. de 2023
  • 5 min de leitura

A emissora transmitirá os jogos do Campeonato Carioca em 2023. Sem um acordo finalizado, Vasco e Botafogo terão seus jogos como mandantes exibidos pela Cazé TV.


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Reprodução: Alexandre Vidal / Flamengo

Após um impasse em relação aos direitos televisivos de transmissão, o Campeonato Carioca assinou com a Band um acordo de três anos para a exibição do torneio em televisão aberta, e também com a BandSports para os canais fechados. O contrato prevê que no mínimo 26 jogos sejam transmitidos em rede nacional já em 2023, porém as partidas que envolvem Vasco e Botafogo como mandantes não estão incluídas no pacote, visto que as duas equipes não concordaram com os valores propostos pela Brax Sports, alegando que havia um desequilíbrio na distribuição de cotas.


A Brax Sports foi a empresa responsável pela venda dos pacotes de transmissão do campeonato, em um acordo em que o Flamengo deve receber R$ 20 milhões, o Fluminense R$14 milhões e as demais equipes R$ 2 milhões cada uma. A ideia inicial seria do Flamengo receber o dobro do valor de Fluminense, Vasco e Botafogo, por esse motivo as duas equipes não assinaram o contrato e fecharam com a Live Mode para transmitir seus jogos como mandantes na Cazé TV, canal do streamer Casimiro Miguel em plataformas digitais.


Não é a primeira vez que a Cazé TV investe em transmissões esportivas, o canal ficou conhecido por exibir jogos da Copa do Mundo de 2022 e partidas do Athletico Paranaense como mandante no Campeonato Brasileiro. Os valores recebidos por Botafogo e Vasco são bem próximos da primeira proposta oferecida pela Brax Sports, portanto não assinar o acordo representou mais uma medida de protesto contra o desequilíbrio de cotas televisivas ocorrido no futebol brasileiro do que insatisfação pela quantia ofertada.


“Essa distribuição de cotas é uma visão absolutamente mercadológica. Na quantidade de pessoas que vão assistir os jogos”, sinalizou Filipe Mostaro, professor do curso de Comunicação Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O profissional considera que o desequilíbrio na distribuição de receitas tem efeitos negativos para o esporte.


Desequilíbrio na divisão de cotas televisivas no futebol brasileiro


O valor que cada equipe brasileira recebe para ter suas partidas transmitidas pela televisão tem forte participação em suas receitas anuais, é um fator essencial para manter as finanças saudáveis e evitar que crises financeiras ocorram. No cenário atual do futebol nacional, existe um grande desnível na distribuição desses valores, alguns clubes recebem mais que outros e portanto, cria-se uma desigualdade financeira que acarreta diretamente na competitividade dos torneios realizados.


“Isso é absolutamente prejudicial e nocivo para o esporte. Quando você tem um clube ganhando muito mais dinheiro que outro, consequentemente você vai ter um desequilíbrio esportivo também, e a ideia do esporte é que todos devem competir com as mesmas condições”, afirmou Mostaro.


O monopólio da TV Globo sobre as competições nacionais de futebol sempre foi visto como o principal motivo para o abismo financeiro entre as equipes, especialmente na distribuição de cotas realizadas no Campeonato Brasileiro. Ainda que a perda dos direitos de transmissão dos estaduais como o Campeonato Carioca não revele uma mudança no panorama dessa desigualdade, a competição nacional que mais gera riquezas ainda segue com exclusividade nas mãos do canal.


Mostaro apontou o quão danoso é ter o principal torneio do país sob o controle de uma única emissora detentora dos direitos de transmissão. “Esse monopólio é muito ruim, embora a Globo ofereça as melhores condições técnicas para a exibição, apenas ela faz as propostas e com isso, tem os clubes em suas mãos. Nos esportes americanos temos uma divisão mais justa nas transmissões, por exemplo uma emissora passa um jogo na quinta, enquanto outra passa no domingo, o que contribui para um acerto entre os clubes com canais que oferecem cotas mais igualitárias”, concluiu.


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Valores repassados aos clubes em 2022, apenas para a exibição dos jogos no Premiere, canal pay-per-view da Globo — Reprodução: Brasileirao.SerieA / Twitter.

A justificativa utilizada para a discrepância dos valores recebidos pelos clubes, em que Flamengo e Corinthians são os maiores beneficiados, está na quantidade de torcedores que cada time possui e no alcance nacional que é obtido. Quanto maior é a torcida, os índices de audiência também são maiores e consequentemente, aumenta as assinaturas para os canais esportivos.


João Cláudio, de 23 anos, é torcedor do Flamengo e vê com bons olhos o seu time de coração ganhar os valores mais altos de cotas televisivas. “O Flamengo tem a maior torcida do Brasil, além de ser muito engajado nas redes sociais e atrair recordes de audiência na televisão, então acho natural ele receber mais. É um clube muito popular, por isso atrai investimentos maiores”, relatou.


Equipes que recebem quantias menores utilizam o modelo da negociação da Premier League, campeonato de futebol inglês, como referência para a divisão de cotas. Na liga inglesa, todos os clubes participantes recebem o mesmo valor e o complementar é dado com base na posição final na tabela e do número de jogos transmitidos a cada time, uma distribuição considerada mais justa.


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Distribuição de cotas televisivas da temporada 2018/19 da Premier League. A diferença entre o primeiro e último colocado foi de 55 milhões de libras. — Reprodução: Premier League / Twitter.

Victor Andrade, de 21 anos, é vascaíno e defende a atitude de seu clube de não fechar o contrato de transmissão com o Campeonato Carioca, o torcedor também considera que o Vasco deveria ganhar um valor maior em cotas televisivas. “O Vasco é um clube que tem muito potencial no futebol, enche estádios com frequência e tem uma torcida enorme. Não acho que o que ele ganha em cotas seja proporcional a tudo isso, por isso concordo com o protesto de não assinar com o Carioca”, disse.


A alternativa que muitos clubes têm encontrado para contornar a situação e também aumentar os ganhos relacionados aos direitos de transmissão é a formação de uma nova liga de futebol brasileiro, independente da organização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Hoje existem dois blocos que almejam transformações profundas para o futuro do futebol nacional: a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e a Liga Forte Futebol do Brasil (LFF).


A Libra defende que a distribuição de cotas entre os clubes não precisa ser necessariamente equilibrada, no entanto, pretende atrair investimentos estrangeiros para aumentar as receitas para cada clube. Nessas condições, equipes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco, Botafogo e Bahia passaram a compor o grupo. A presença de Vasco e Botafogo na Libra revela uma preocupação dos dois clubes de receber valores maiores de cotas, e não de exercer um equilíbrio na divisão como propõem no Campeonato Carioca.


Já a LFF conta com um número maior de times inclusos em sua proposta, o objetivo é de diminuir a distância econômica entre as equipes, visando uma diferença máxima de 3,5x na divisão de receitas. Fazem parte do grupo: Internacional, Fluminense, Atlético Mineiro, Athletico Paranaense e Fortaleza. Os integrantes das duas ligas ainda não entraram em um consenso, porém ambas pretendem começar a atuar no futebol brasileiro a partir de 2025.


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