Big Techs protagonizam demissão em massa
- Gabriella Sackey
- 6 de fev. de 2023
- 3 min de leitura
Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet,as quatro gigantes da tecnologia, já são empresas líderes de demissão em 2023.

No início deste ano, as grandes empresas do ramo da tecnologia realizaram a maior demissão em massa da história. De acordo com o layoffs.fyi, plataforma que rastreia as demissões de startups de tecnologia, Meta, Alfabet, Amazon e Microsoft demitiram cerca de 50 mil funcionários apenas no mês de janeiro. O número é maior do que a soma de demissões durante todo o primeiro semestre de 2022.
A Amazon é a líder no ranking, com um total de 18 mil funcionários dispensados. Em segundo lugar está a Alfabet, que demitiu 12 mil pessoas. Seguindo a dona do Google, estão Meta e Microsoft, com 11 mil e 10 mil demissões, respectivamente. Do top 5 das “Big Techs”, apenas a Apple não realizou nenhuma dispensa coletiva.
O clima econômico desfavorável iniciado no ano passado segue influenciando a série de demissões deste ano. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), dos Estados Unidos, o ano passado registrou a maior taxa de inflação já vista em 40 anos. A iminente recessão econômica está levando as pessoas a comprarem apenas o necessário, o que diminui a lucratividade das empresas de tecnologia. Além disso, as próprias empresas estão sofrendo com o aumento nas despesas, o que as leva a cortar gastos com funcionários e modificar o modelo de negócios, como vem acontecendo com o setor publicitário de empresas como a Meta e Alfabet.
A volta das atividades presenciais depois do período da pandemia também é uma das razões para essas demissões coletivas. A necessidade de tecnologia durante o período de quarentena aumentou significativamente, as pessoas passavam mais tempo online trabalhando, fazendo compras, consumindo entretenimento, entre outras coisas. O que aumentou o lucro das big techs, mas também suas demandas, levando-as a contratar cada vez mais novos funcionários.
De acordo com dados da "Thinknum Alternative Data", plataforma que monitora sites de empresas, a Amazon contratou, apenas em 2020, cerca de 400 mil funcionários. Entre outras bog techs o número foi consideravelmente menor, mas ainda assim expressivo. Nos dois anos de pandemia, a Meta contratou 27 mil novos funcionários. Entre o início de 2021 e abril de 2022, a Microsoft criou 40 mil novos empregos. Durante o mesmo período, a Alfabet efetivou 12 mil novos trabalhadores.
Além da pandemia e da crise econômica, segundo Henrique Frank, cientista de dados na Visagio ⎯ empresa de Tecnologia e Consultoria de Gestão ⎯, o cancelamento de projetos nessas grandes corporações pode ser um dos motivos para a demissão de funcionários. "Eu acho que a demissão é algo mais relacionado a uma enxugada nos funcionários e uma revisão de todas as áreas que estão gerando valor ou não. Tecnologia não é um investimento necessariamente só no longo prazo, mas você consegue colher frutos no curto prazo e essas empresas estão acertando isso".
A forma com que as empresas demitiram os funcionários gerou revolta na internet
Nicole Tsai, influenciadora e ex-programadora do Google, falou na internet sobre como descobriu sua demissão. Famosa no TikTok, ela costumava mostrar em seus vídeos as vantagens de ser funcionária do Google, mas acabou descobrindo sobre a demissão depois de não conseguir acessar seu email de trabalho. Nem mesmo seu chefe fazia ideia de que ela estava entre as 12 mil pessoas que a empresa dispensou no último mês. No LinkedIn, a influencer percebeu a gravidade da situação ao ver que outros funcionários foram demitidos da mesma forma.
Na perspectiva de Henrique Frank, apesar da demissão, essas pessoas conseguirão outro emprego rapidamente. "Dessas pessoas que foram demitidas, elas estão acolhidas muito fácil dentro do mercado e a maioria já está realocada para outras empresas pois são qualificadas."


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