Baixa vacinação de COVID-19 de adultos e crianças preocupa especialistas
- Ellen Alves
- 30 de nov. de 2022
- 4 min de leitura

O aumento da contaminação por COVID-19 tem trazido à tona questionamentos acerca da baixa vacinação por parte da sociedade. Por isso, esta matéria busca entender tal motivação para essa defasagem no número de brasileiros não vacinados com as doses de reforço.
O início da vacinação contra COVID-19 no Brasil e no mundo foi um grande boom de euforia por parte de toda população, que via ali naquela alternativa a saída para o cenário catastrófico em que o mundo foi tomado após a chegada do vírus. Mas ao que parece, esta animação não se faz mais tão presente, visto os baixos números na vacinação com a terceira e quarta doses.
A empolgação que se via inicialmente através das redes sociais se tornou algo raro, antes era possível perceber em fotos e vídeos os registros animados das primeiras duas doses da vacina contra Sars CoV-2. Essa baixa na vacinação, não é algo presente apenas na primeira dose de reforço, conhecida popularmente como terceira dose, mas também na vacinação em geral contra doenças já erradicadas no Brasil.
Mesmo com a alta de casos e com a vacina já disponível desde julho, apenas 5,5% das crianças de três e quatro anos tomaram as duas doses, segundo a Fiocruz. A baixa imunização não é algo que só afeta as crianças, é algo que, em geral, reflete também nos adultos, visto que muitos não se vacinam em campanhas para outros tipos de doença, como o sarampo, que é coberta pela vacina tríplice viral. Mesmo após o Brasil conquistar em 2016 um certificado internacional por ter conseguido eliminar a doença, o país voltou a registrar casos e até mortes, tudo isso fruto da baixa vacinação.
A médica Pneumologista Patrícia Canto Ribeiro, coordenadora da comissão de DRAO da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), afirma que é necessário que o governo retome grandes campanhas de vacinação dizendo que vacinas são seguras, orientando que a população leve seus filhos aos postos de vacinação. Ela também faz um alerta para que a população não acredite em fake news e complete seu esquema vacinal.
O que pode ser o (maior) causador desta baixa imunização das crianças com as duas doses contra covid?
A baixa imunização de crianças tem haver com a divulgação de falsas notícias sobre os riscos da vacina para crianças, por parte da população, claro que as vacinas são imunobiológicas e podem causar, como qualquer medicamentos, efeitos adversos. Mas esses efeitos são infinitamente menos frequentes e menos graves do que a doença em si. Nós já perdemos mais crianças nos últimos dois anos por COVID-19 do que por qualquer outra doença imuno previníveis. Portanto, é fundamental que as crianças sejam vacinadas o mais rápido possível.
O governo não tem dado tamanha importância para o assunto, visto a taxa de apenas 5,5% das crianças de 3 a 4 anos imunizadas com as duas doses, seria algo relacionado a falta de campanhas ou imunizantes?
Acho que sim. O governo não tem feito campanhas em grandes mídias e nas redes sociais, que as pessoas atualmente utilizam muitas vezes, erroneamente, como fonte de informação. Isso dificulta que a informação chegue de forma clara, adequada e precisa para todas as pessoas. Muitas pessoas não sabem que devem levar seus filhos para vacinar contra COVID-19, muitas não sabem que é seguro. Então, a falta de campanha nas mídias e nas mídias sociais tem um impacto importante na baixa cobertura vacinal na COVID-19 de crianças e também de outras vacinas. Pois, não só para COVID-19 estão baixas as taxas de vacinação, mas desde 2013, vem caindo a cobertura vacinal para todos os imunizantes. Então, é fundamental que a gente retome grandes campanhas de vacinação dizendo que as vacinas são seguras. Vacine seu filho e leve seu filho aos postos de vacinação.
Além do risco individual de contrair a forma grave da doença, qual é o risco para a sociedade (epidemiológico) que as pessoas que não se vacinaram com o esquema completo podem gerar?
Vacinas são meios de defesa não só individuais mas, principalmente, coletivo. Quando há um maior número possível de pessoas imunizadas, é bloqueada a circulação de muitos vírus e com isso, é reduzida a chance de adoecimento, mesmo para aquelas pessoas que não se imunizaram ou por que tenham algum problema que contra indiquem algum imunizante ou para aquelas que optam por não se vacinar. Então, a vacinação é um meio eficaz contra as doenças e, por isso, uma forma de saúde pública de atingir um grande número de pessoas ao mesmo tempo. Em especial, quando se tem campanhas que é possível atingir um público muito maior.
O que você vê como motivação para esta estagnação na vacinação de adultos com a terceira e quarta dose contra a covid-19?
Acredito que principalmente em relação a terceira e quarta doses, o primeiro e segundo reforço para os adultos. O que tem desmotivado as pessoas é que primeiro caiu muito o número de mortes por COVID-19, fruto da vacinação. As pessoas estão agora associando a COVID-19 a uma doença branda, uma “gripezinha”, mas é mais do que apenas uma “gripezinha”, ela é uma doença que pode ter formas leves naquelas pessoas que têm o sistema vacinal completo. Mas ela é uma doença potencialmente fatal, então, é importante que as população se vacine, não acreditem em fake news e completem seus esquemas vacinais. O maior número de internações que temos visto atualmente e ainda de óbitos, infelizmente, é entre os grupos não vacinados ou com vacinação incompleta.


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