Aumento do preço da passagem dos trens da SuperVia revolta passageiros
- Luana Aguiar
- 6 de fev. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de fev. de 2023
Passageiros reclamam da incoerência do aumento do valor enquanto a qualidade do serviço decai.
A Agetransp, agência reguladora de transporte do estado do Rio de Janeiro, aprovou o reajuste do preço da passagem de trens da SuperVia de R$ 5,00 para R$ 7,40. Como forma de manter o valor atual durante o ano de 2023, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, implementou a Tarifa Social ferroviária. Para ter acesso ao desconto, é preciso possuir um cartão Riocard Mais habilitado no Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e vinculado ao próprio CPF, ter entre 5 e 64 anos e ter um ganho mensal de no máximo R$ 7.507,49.
Desde o anúncio da Tarifa Social, os postos do Riocard têm ficado lotados de longas filas com passageiros tentando garantir o desconto. Além disso, o processo de adesão na internet não é nada fácil, passando por instabilidades e erros por pendências. Devido às dificuldades, muitos não conseguiram habilitar seus cartões. Por isso, o prazo para habilitar o BUI, que deveria terminar dia 1º de fevereiro, foi estendido até o dia 9.

O reajuste e os problemas enfrentados para garantir a tarifa social geraram revolta nos passageiros, que expressaram sua indignação nas redes sociais. No Twitter, um usuário mostrou sua insatisfação: “O aumento do valor da passagem de trem no Rio de Janeiro, que passará para R$ 7,40 no dia 2 de fevereiro, é uma crueldade contra os trabalhadores.”. Outro usuário da rede também reclama da situação: “É inaceitável que o povo tenha que permanecer em filas enormes, sol a pino, por horas a fio, para tentar conseguir ‘tarifa social’ do trem frente o aumento da passagem - extorsão - anunciado pela SuperVia!”.


Segundo a estudante da Uerj Juliana Araújo, o prazo para ter acesso ao desconto foi “muito curto e muito do nada”. Ela não conseguiu fazer o cadastro do benefício em sua primeira tentativa devido à fila enorme, e teve que tentar em outro posto. A universitária pega o trem todos os dias para chegar à faculdade, passa por 24 estações e demora uma hora e meia de viagem. “Sem contar atrasos, sem contar problemas na rede elétrica da SuperVia, problemas no tráfego. Às vezes um trem simplesmente para de funcionar no meio de uma estação e todo o sistema dela para.”, afirma Juliana.
Ela também critica o reajuste e fala sobre problemas estruturais que enfrenta em seu trajeto de trem no dia a dia. “O aumento da passagem é um negócio absurdo. Nenhum ramal funciona como deveria funcionar. Nenhum é minimamente adequado. Todos eles são cheios, são desconfortáveis e nunca têm onde sentar. Eu venho a viagem inteira de ida e volta da Uerj praticamente em pé todos os dias.”. A universitária ainda critica aqueles que defendem o reajuste mas não vivem a realidade do serviço. “Quem pensa que a supervia está certa em aumentar porque ‘tem muitos calotes’ ou ‘porque as pessoas depredam o trem’ não vive a realidade daquilo. Não pegam trem todo dia.”.

Juliana destaca a incoerência do aumento do valor com a queda da qualidade do serviço. Desde o início da pandemia, segundo a Agetransp, a SuperVia reduziu em 69% o número de viagens expressas dos trens que ligam o Rio de Janeiro a 11 municípios. O levantamento também apontou questões de segurança pública (tiroteios, furtos e roubos de equipamentos, vandalismos, acessos irregulares e etc) que ocasionam na supressão ou na interrupção das viagens e partidas dos trens. O ramal que mais se prejudica nesse quesito é o de Santa Cruz, contando com 675 cancelamentos ou interrupções apenas nos seis primeiros meses de 2022. Para o azar da universitária, esse é justamente seu ramal de embarque.
Com a suspensão do trem expresso do ramal Santa Cruz, o trajeto de Juliana à universidade, que antes demorava 50 minutos, agora dura 40 minutos a mais. Em algumas ocasiões esse tempo é ainda maior. A aluna conta sobre os problemas que enfrenta: “Eu não tenho outro jeito de ir pra Uerj. Eu dependo totalmente da SuperVia e eu tenho um serviço horrível pagando R$5,00 por isso. O metrô é R$6,50 e não tem tantos problemas assim.”. A falta de comunicação entre a SuperVia e os passageiros também é algo que a incomoda. “É revoltante você chegar na estação e descobrir que o seu ramal está com intervalo irregular, que vai passar trem de 30 em 30 minutos e não te dizem o motivo. É uma falta de comprometimento com o cliente muito grande.”.
A estudante comenta que já passou por diversas situações desagradáveis envolvendo a SuperVia. Ela diz que sendo um serviço público deveria existir mais transparência na hora de esclarecer questões que dizem respeito aos que, como ela, dependem do transporte em suas rotinas. “Não é só com os clientes que a SuperVia não dá um parecer. Eu como aluna de jornalismo já procurei a SuperVia pra fazer matérias para universidade e não quiseram me dar uma resposta, só me perguntaram se era a instituição ou apenas alunos perguntando. Ela não quis se posicionar sobre apenas dados que queríamos consultar. Deveria ser um serviço acessível e não deveriam dificultar.”.
A universitária afirma que ir à faculdade se tornou um processo cansativo não pelos estudos em si, mas pelo tempo e desgaste que passa no transporte público, indo e voltando da Uerj. “Acho que eu nunca peguei uma época em que a SuperVia fosse aclamada pelo público, fosse condizente com a passagem que a gente paga.”.


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