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Atrasado em 6 anos, BRT TransBrasil será menor do que o previsto

  • Foto do escritor: Yan Ney
    Yan Ney
  • 4 de fev. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de fev. de 2023

Atualizações no projeto reduzem extensão das vias e criam um novo terminal para interligar o sistema ao VLT e ônibus convencionais.


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Mapa do corredor BRT TransBrasil | Foto: Reprodução

Com obras iniciadas em 2015, o corredor do BRT TransBrasil ainda não foi finalizado. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura, o serviço será entregue no final de 2023.


O projeto final será um pouco menor do que o previsto, indo de Deodoro ao Caju. Ao invés dos 31 km serão entregues 26, com 18 estações e 4 terminais, sendo um deles a novidade da atual gestão de Eduardo Paes: o Terminal Gentileza. Ocupando o terreno do Gasômetro, ele fará integração entre o BRT TransBrasil, VLT e linhas de ônibus convencionais.


“O trabalhador não precisa pagar outra passagem, chega aqui com conforto, integra com o VLT e vai trabalhar. Temos três corredores já implantados. Agora é terminar essa obra e colocar para funcionar.”, afirmou Eduardo Paes ao lançar o projeto do Terminal.


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Projeção do Terminal Gentileza | Foto: Reprodução

Para a finalização das obras, o orçamento previsto é de R$ 361 milhões, com o governo federal assumindo mais de 80% do valor. Ao todo, o custo total da implantação da TransBrasil será de aproximadamente R$ 1,9 bilhão.


Gabriel Bergamo, morador da zona oeste que faz o trajeto da Avenida Brasil todos os dias, reclama do atraso das obras, que bloqueiam vias e atrapalham a vida de quem passa pelo local.


“A gente vê o pessoal trabalhando, mas eles demoram uma eternidade para fazer um trecho. Normalmente eles inviabilizam duas ou três vias. Já é um lugar engarrafado, assim fica mais ainda.”, conta.


O projeto inicial era entregar, em 2017, um circuito com 31 km de extensão, com 28 estações e 4 terminais, indo de Deodoro à Candelária. Em seu governo, o ex-prefeito Marcelo Crivella prometeu concluir o projeto de seu antecessor, Eduardo Paes, mas isso não aconteceu.


Como justificativa para o atraso, a Secretaria de Infraestrutura diz em nota que “A prefeitura do Rio retomou o projeto do BRT TransBrasil em agosto do ano passado, após quatro anos de abandono e está atuando em diversas frentes para viabilizar a operação do corredor TransBrasil em dezembro de 2023.”


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Em 2019, o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro calculou um prejuízo de quase R$ 1 bilhão devido ao atraso das obras da TransBrasil. Crivella, em sua gestão, solicitou que o projeto fosse investigado por suspeita de superfaturamento, o que não se comprovou.


Assumindo novamente a prefeitura em 2021, Eduardo Paes afirmou que o “dinheiro sempre teve, o que faltou foi competência”.


O Bus Rapid Transit and System (BRT) é um projeto constituído de quatro corredores de ônibus com duas composições. O grande desafio da implantação desse sistema é porque estão em algumas das principais vias expressas da cidade.


O BRT recebeu financiamento do Ministério dos Transportes, Ministério das Cidades, e Governo Fluminense, além do capital da prefeitura e empréstimos do BNDES. Até o momento, três dos quatro corredores foram entregues: TransOeste, TransCarioca e TransOlímpica.


A previsão é que a TransBrasil transporte entre 150 mil e 250 mil pessoas por dia, contribuindo para diminuir a circulação de ônibus na Avenida Brasil e no Centro da cidade. A promessa é que a viagem do passageiro também fique mais rápida, pois os ônibus usarão vias exclusivas.


Em entrevista ao jornal O Globo, o professor Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, explica como a prefeitura da cidade consegue gerir o BRT após a implantação.

“O histórico que o BRT tem é absurdo. O sistema acaba dependendo da gestão do tráfego, da frota, dos consórcios, são muitas variáveis para a prefeitura. É preciso saber se vão conseguir cuidar de tudo. Todos esses pontos precisam ser analisados.”


Consequência do abandono


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Estação do corredor TransBrasil com sujeira | Fonte: Reprodução

Enquanto isso, ao longo dos 26 km do futuro corredor TransBrasil, algumas estações viraram moradia para pessoas em situação de rua. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, elas vêm sofrendo atos de vandalismo e que essa é uma questão de segurança pública.


Para Guilherme Abreu, que passa pelas obras da TransBrasil cotidianamente, faltam ações de segurança pública para proteger o local. “As estações viraram casa de usuários de drogas. Abandonada, não tem fiscalização, não tem nada. Os caras dormem em um lugar feito com dinheiro público.”


Em nota, a Secretaria de Ordem Pública diz que já existe um programa de proteção do BRT, chamado “BRT Seguro”, que realiza ações de ordenamento, combate a vandalismos e furtos na região.




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