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Ativismo em obras de arte: entenda protestos ambientalistas

  • Foto do escritor: Beatriz Pereira
    Beatriz Pereira
  • 19 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2022

Pinturas de Van Gogh, Monet e Leonardo da Vinci foram alvos de manifestações do novo grupo ‘Just Stop Oil’.


Os meses de outubro e novembro foram marcados por ataques aos quadros mais famosos do mundo por ativistas. O grupo ambientalista ‘Just Stop Oil’ (em tradução livre, “Apenas pare com o petróleo'') foi responsável por uma série de protestos envolvendo históricas obras de arte de grandes nomes como Monet, Van Gogh e Leonardo da Vinci. Os manifestantes pedem que os governos suspendam as novas licenças de petróleo e gás e ressaltam a importância da possível transição de energia para fontes limpas e renováveis.


Em julho deste ano, o mesmo grupo começou os protestos interferindo em uma paisagem de John Constable, intitulada “A Carroça de Feno”, localizada na National Gallery, em Londres. Os ativistas aplicaram sobre a obra uma espécie de releitura em papel de como aquela paisagem se tornaria após o impacto causado pela indústria do petróleo. Eles ainda colaram suas próprias mãos sobre a moldura da pintura e proferiram suas palavras de protesto.


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dasartes.com.br

"Esta pintura faz parte do nosso patrimônio, mas não é mais importante do que os 3,5 bilhões de homens e mulheres que já estão em perigo com a crise climática", disse a estudante Eben Lazarus, de 22 anos.


Na mesma semana, os militantes também colaram suas mãos na cópia da “Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, localizada na Royal Academy of Arts. Além de terem pintado com tinta spray, na parede abaixo da obra, a expressão “no new oil” - que em português traduz-se ‘Sem novo petróleo’.


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dasartes.com.br

Sem maiores prejuízos às obras originais, os protestos voltaram a reaparecer apenas em outubro, com um dos casos mais famosos: dois ativistas do grupo jogaram sopa de tomate na famosa tela “Girassóis” de Van Gogh, obra exposta na National Gallery em Londres.


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Filmed by Rich Felgate

Mais uma vez os protagonistas do movimento colaram as mãos na moldura e proferiram palavras de revolta com a situação climática: “O que importa mais? Arte ou vida? Ela vale mais do que comida? Vale mais do que justiça? Vocês estão mais preocupados com a proteção de uma pintura ou com a proteção do nosso planeta e das pessoas?”, declararam.


A ‘Just Stop Oil’ é uma organização formada por uma coalizão de grupos britânicos preocupados com as questões climáticas. O principal objetivo da formação do grupo e dos protestos é impedir que o governo do Reino Unido conceda licenças para que as empresas explorem e produzam combustíveis fósseis. Além disso, a organização também pede mais investimentos em fontes de energia renováveis, como a eólica e a solar.

A escolha dos ataques à obras de arte não são uma retaliação aos autores ou às obras em si, mas foi vista pelo grupo como uma maneira de chamar atenção da mídia para os assuntos das mudanças climáticas.


Os protestos continuaram


A série de protestos também aconteceu em quadros de Andy Warhol, Botticelli, Johannes Vermeer, e até mesmo na estátua de cera que representa o Rei Charles III no museu Madame Tussauds, em Londres, no Reino Unido.

Até o momento nenhuma obra foi seriamente prejudicada por conta da proteção em vidro que os museus oferecem justamente como forma de prevenção a acidentes e vandalismos. Já os ativistas sofreram sanções: até o momento já foram registradas mais de mil prisões por movimentações do gênero, segundo a própria ‘Just Stop Oil’.


James Harvey, porta-voz do coletivo, afirmou recentemente que seu objetivo é pressionar os governos de todo o mundo a implementarem, com urgência, políticas públicas que barrem a exploração de combustíveis fósseis. Ele chegou até a declarar que até mesmo Van Gogh apoiaria o ataque à própria obra.

“Van Gogh estaria disposto a fazer ações diretas pelo meio ambiente. Ele era um rebelde. Se visse a situação do mundo atual, provavelmente concordaria que é preciso agir.”, confessou Harvey em entrevista com a Folha de São Paulo.


Já o museólogo e diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) afirma que é a favor de todos os protestos, que são elementos importantes no contexto político democrático. No entanto, considera equivocado quando esses movimentos agridem obras de arte, já que estas são patrimônios comuns da humanidade.

“Um protesto que agride obras de arte que estão em instituições que têm por princípio difundir a cultura, o patrimônio e a identidade de uma maneira pública, para mim é profundamente equivocado.”, afirmou.





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