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A influência de redes sociais na forma de consumo do BBB

  • Gabriel Segantini & Júlio César Barcellos
  • 5 de fev. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 8 de fev. de 2023

As formas de acompanhar o Big Brother Brasil tiveram mudanças drásticas em comparação com as primeiras edições.


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Com as redes sociais, o sucesso do Big Brother Brasil chega a outro patamar

Após 23 edições e participantes memoráveis, o Big Brother Brasil segue sendo um fenômeno de audiência. E a maior mudança desde as primeiras edições do reality até o momento aconteceu com a popularização das redes sociais. No último ano do programa mais de 155 milhões de espectadores acompanharam a casa mais vigiada do Brasil tanto no circuito aberto quanto pelo canal fechado, o Multishow. De acordo com um balanço feito pelo próprio grupo Globo, a temporada do ano de 2022 foi a segunda melhor em números, ficando apenas atrás da de 2021.


E não são só os números brutos de audiência que aumentaram, o Big Brother Brasil 2022 bateu o recorde de patrocinadores, chegando a mais de trinta no total, e a quantidade de votos em um único paredão somaram mais de 414 milhões. Para Simone Evangelista, professora adjunta da Uerj e especialista em mídias digitais, tanto as redes quanto o programa se beneficiaram com essa relação. E não é à toa, somente na última edição foram registradas mais de 1 bilhão de interações relacionadas ao programa nas redes sociais.


Edição paralela


De acordo com a professora, as performances do público são fatores importantíssimos para agregar na maneira de consumir o programa. Ela afirma que cada vez mais as pessoas buscam comentar, discutir e defender um participante ou outro pelas plataformas. “Hoje se consome o Big Brother de uma maneira que extrapola muito o que tá acontecendo ali dentro do programa. São participações e disputas entre torcidas, torcidas que se aliam, torcidas que criam rivalidades e que inclusive vão ser levadas para outras edições do programa”, complementa.


É comum que nas redes sociais como Twitter, Tik Tok e Instagram os usuários compartilhem vídeos e informações do dia e noite da casa do BBB, dispensando o pacote de pay-per-view disponibilizado pelo Globo Play. Milhares de pessoas e sites de entretenimento se revezam para acompanhar a casa mais vigiada do Brasil 24 horas por dia, compartilhando na internet vídeos, fotos e publicações informativas sobre tudo que acontece no programa.


Para o espectador de longa data do programa, Jônatas Levi, estudante de jornalismo da Uerj, acompanhar o BBB pelas redes sociais é totalmente diferente, pois é possível interagir e comentar com diversas outras pessoas sobre o reality. “Legal é você ver e compartilhar suas opiniões e ouvir as de outras pessoas sobre o que está acontecendo no jogo o tempo inteiro.”, afirma Jônatas. O estudante ainda ressalta que acompanhar as repercussões sobre o reality em outras plataformas é uma forma de driblar a uma hora e meia de programa exibidos na TV, e diz que o grande atrativo do programa é torcer para algum participante. Para o jovem, esse sentimento durante o programa se compara ao dos amantes do futebol quando torcem pelo seu time de coração.


BBB pré-internet


Para quem começou a acompanhar a “casa mais vigiada do Brasil” nas edições mais recentes não faz ideia de como era estar por dentro dos acontecimentos antes da ascensão na internet. A professora do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), Joelma Brandão, de 51 anos, acompanha o Big Brother Brasil desde a edição de estreia. Segundo Joelma, um dos principais defeitos do programa era de ser muito preso à grade da programação da emissora, algo que mudou com a popularidade de redes como Twitter e Instagram.


De acordo com a professora Simone, no início do reality a audiência era voltada a observar o comportamento humano e também a eventual mudança de personalidade dos competidores. “No início a gente assistia esse tipo de programa para conferir a performance dos participantes para ver se eles estavam sendo autênticos ou não, esperando o momento em que a máscara vai cair”, argumenta. Até hoje a primeira edição do programa é a que teve a final mais assistida, com uma média histórica de 59 pontos, com picos de 64 e 76% dos televisores ligados.


As mídias sociais permitem a potencialização das interações. Na edição do BBB 20, alguns quadros foram implementados em dias específicos da semana exclusivos para mostrar a interação e os memes feitos pelo público nas redes sociais. Vídeos, áudios e memes dos espectadores são usados para satirizar os participantes e as intrigas de dentro da casa no quadro CAT BBB com o humorista Rafael Portugal. Atualmente o especial é apresentado pela humorista Dani Calabresa. Uma forma de trazer uma edição mais leve e voltada às brincadeiras com os participantes ao menos um dia na semana.


Tanto para os fãs da “velha guarda” quanto para os da nova geração, a quantidade estrondosa de conteúdos nas mídias sociais sobre o programa o tornam bem mais fácil de acompanhar. A grande mudança na forma de consumir o Big Brother aconteceu com a maior interação dos espectadores com o show. “Parte considerável do público está se apropriando do que acontece dentro do Big Brother para construir sentidos ali dentro das redes sociais”, ressalta a professora e especialista em mídias digitais.


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