3 meses por 3 horas: fãs fazem de tudo para verem os ídolos
- Ana Júlia Brandão & Vitória Luna
- 12 de dez. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 13 de dez. de 2022
De horas na fila até centenas de reais gastos nas diárias em hotéis. Jovens fazem o possível e o impossível para se aproximarem de seus artistas favoritos.

O cantor inglês Harry Styles abriu sua série de shows em solo brasileiro na última semana. A agenda do cantor contempla três estados, entre os dias 6 e 14 de dezembro e a abertura da sequência de shows aconteceu no Allianz Parque, em São Paulo. Mesmo debaixo de chuva, o ex-One Direction arrastou uma multidão de fãs, com direito a uma fila de mais de quatro quarteirões e acampamentos de mais de dois meses.
A estudante Selena Holanda, de 16 anos, moradora de Itapema em Santa Catarina, voou até São Paulo e acampou na porta do estádio para garantir um bom lugar na platéia. Holanda, além de já ter conhecido três estados em apenas um ano, acompanhando as apresentações de seus ídolos, afirma estar acostumada com os acampamentos, pois seu hobby é ir em shows. Segundo ela, a experiência vale a pena, por isso, já está planejando seu próximo destino, desta vez, internacional.
“O que me motiva é a experiência de viver tudo isso com pessoas que compartilham o mesmo amor que você. Conhecer a pessoa que você admira há anos e espera ansiosamente com o ingresso na mão pra ouvir suas músicas favoritas ao vivo e viajar para realizar seu sonho é incrível. Agora o próximo passo é ir para Londres no show do Louis Tomlinson. Comprei os ingressos com algumas amigas (que inclusive conheci no show dele em São Paulo, em maio deste ano) e agora vou juntar todo o dinheiro que eu puder pra ir.”

Holanda relata que, mesmo muito jovem, custeia as próprias viagens sozinha e recebe apoio de toda a família no processo de organização.
“Eu trabalho e estudo, estou agora indo pro terceiro ano do ensino médio de manhã e trabalhando à tarde. Trabalho desde os meus 15 anos e comecei a ir atrás de emprego justamente para realizar esses sonhos, por isso, desde então, já fui planejando quanto precisaria juntar, como iria relacionar o emprego com estudo e essas viagens. Acho que minha família são os que mais me apoiam nessas loucuras, estão sempre dando dicas, colaborando com ajuda financeira, deixam sempre eu resolver tudo sozinha com passagem, hotel, ingressos e sempre ajudando como podem.”
Acampamentos, reservas em hotéis e viagens para outros estados, e até países, vêm como consequência do carinho e afeição com os artistas, e são encarados com seriedade. O esquema de organização dos fãs nos locais dos shows é algo quase profissional, contando com ordem de chegada, lista de participantes e numeração de barracas. O respeito entre os envolvidos é algo muito importante para o andamento do sistema meticuloso, que funciona praticamente sem falhas.
Entretanto, não é sempre que tudo acontece como esperado. Eduardo Barros, estudante de Relações Públicas da Uerj, recorda sua experiência quando, em 2017, a cantora Lady Gaga cancelou sua vinda ao Rock in Rio na véspera de seu show.
“Eu passei o dia lá, cheguei amanhecendo e a notícia veio às 16h. Foi desesperador! Acompanho a Gaga desde 2013, e na época já faziam alguns anos desde a última vez que ela veio ao Brasil. Ninguém esperava isso. Voltei pra casa chorando, desolado. Foi um dia extremamente quente, exaustivo fisicamente e mentalmente. Nunca vou esquecer daquela sensação!”, relembrou Barros.
Os fandoms, como os grupos de fãs são popularmente nomeados, trabalham firme e incansavelmente quando o assunto é sobre seus ídolos. Mobilizam mutirões nas redes sociais quando músicas são lançadas e defendem com unhas e dentes a honra de seus artistas favoritos. Tudo faz parte da experiência.
E como nem sempre tudo são flores, alguns fãs ainda encaram problemas com questões legais ligadas aos acampamentos. Em 2013, representantes de um grupo de cerca de quinze jovens acampados para o show do cantor Justin Bieber, precisaram se reunir com agentes do Conselho Tutelar do Rio de Janeiro para negociar a permanência das barracas onde aconteceria o show. Isso porque, através de uma ordem judicial, foi determinado que menores de idade não poderiam passar a noite na fila. O grupo, que pretendia se revezar durante mais de um mês, foi proibido pela prefeitura de permanecer no local por conta da falta de infraestrutura e condições de segurança.
Já na edição deste ano do festival Rock In Rio, os acampamentos foram novamente proibidos. A organização do evento optou pela decisão por conta do fluxo de entrada e saída do público nos dias que antecederam a apresentação de Bieber no palco principal, em 4 de setembro.
Muitas vezes os sacrifícios têm preços bem altos, literalmente falando. Eduardo Barros fala sobre as loucuras que já fez em nome desse amor incondicional, e deixa claro que não se arrepende de nada.
“Já fiz muita loucura por famoso, mas acho que a maior de todas aconteceu recentemente quando Travis Scott veio para o Brasil. Eu fiz a reserva no hotel 1 mês antes dele chegar porque eu já tinha a intuição que ele iria para lá. Não deu outra! Assim que entrei, ele estava lá, almoçando com sua equipe. Passei 3 horas no restaurante, numa mesa próxima. O hotel estava vazio então durante o tempo todo éramos apenas eu, ele e sua equipe. Até que veio o momento em que eu tomei coragem e pedi para autografar a minha camisa. Foi inesquecível!"



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