top of page

26 das 2.095 praias brasileiras possuem a certificação Bandeira Azul

  • Maria Eliedja & Rafaela Antico
  • 6 de fev. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de fev. de 2023

O prêmio é concedido às praias que seguem os mais altos critérios de segurança, serviços, qualidade da água e educação ambiental.


ree
Foto: Reprodução: FEE International (CC BY-NC 2.0)

De acordo com dados divulgados pelo monitoramento dos órgãos ambientais estaduais e municipais, o Brasil registrou o menor número de praias limpas dos últimos seis anos em 2022. Das 2.095 praias do país, apenas 26 receberam o prêmio Bandeira Azul, que é um reconhecimento internacional de que o local possui uma boa gestão ambiental e qualidade para os banhistas.


O baixo número de praias aponta problemas na gestão ambiental das praias brasileiras. No Rio de Janeiro, apenas quatro praias receberam a honraria no último ano. Dentre os locais estão: Praia do Peró (Cabo Frio), Praia do Sossego (Niterói), Praia de Itaúna (Saquarema) e a Praia do Forno (Armação de Búzios).


Fábio Vieira de Araujo, Professor do Departamento de Ciências da Faculdade de Formação de Professores da Uerj (FFP/UERJ), explica as dificuldades para a conquista do selo. “Um dos principais desafios é a qualidade da água, porque sempre tem uma fonte de poluição próxima ao mar, então isso já limita muito a possibilidade do selo”, diz Araújo.


ree
Foto: Reprodução: Prefeitura do Rio

Durante a alta temporada, o volume de lixo descartado irregularmente nas areias cresce consideravelmente. Em janeiro de 2023, a Comlurb recolheu mais de 970 toneladas de lixo nas praias do Rio de Janeiro. Além da poluição visual, esses resíduos representam um risco para o meio ambiente.“O lixo deixado na areia pelos banhistas é muito problemático para o ecossistema. Ele é levado para o mar pelo vento ou pela maré, e pode ser confundido como alimento por alguns organismos marinhos e até ser ingerido por eles”, afirma Araújo.


O professor ainda informa que muitos casos de morte de tartarugas, aves marinhas e peixes se relacionam com o descarte de lixo na praia. “Os animais não conseguem se alimentar e nem se locomover porque seus estômagos estão cheios de lixo e acabam morrendo desnutridos”, acrescenta o professor.


Lançado em 1985 na França, o Bandeira Azul é o maior prêmio mundial dedicado à sustentabilidade de praias, marinas e embarcações. Ao longo dos anos, tornou-se um rótulo ecológico altamente respeitado e reconhecido, com o propósito de reunir os setores de turismo e meio ambiente. Além do Brasil, o prêmio está presente em mais 54 países. O selo representa uma mudança no comportamento e na consciência da população. No país, o prêmio é operado pelo Instituto Ambientes em Rede, que representa o país nos programas da FEE – Foundation for Environmental Education, ONG internacional atuante na promoção da educação ambiental.


Além de incentivar a conscientização ambiental, a Bandeira Azul impulsiona o turismo local. Marcelli Ladeira, coordenadora do programa e responsável pela conquista do certificado em Saquarema, explica a importância do prêmio para a cidade. “Ter a Bandeira Azul fortalece o turismo da cidade e dá a certeza de que o local possui uma gestão ambiental de excelência para receber os turistas.”, diz Marcelli. O selo é válido até novembro de 2023 mas para isso o município precisa continuar seguindo as regras do programa.


Critérios do Bandeira Azul


Segundo o professor Fábio Vieira de Araújo, para conseguir a certificação as praias devem contar com uma gestão ambiental ativa e um comitê que garanta que os critérios sejam atingidos e mantidos. Os principais pontos listados pelo professor a serem seguidos para a conquista da Bandeira Azul são:


  • Promoção de atividades de educação e formação ambiental ao longo do ano;

  • Disponibilização de placas com informações sobre o ecossistema local;

  • Instalação de estruturas para receber lixo reciclável;

  • Instalação de sanitários;

  • Controle rigoroso do acesso de cães e outros animais;

  • Garantia de segurança e serviço no local;

  • Número determinado de guarda vidas;

  • Zoneamento do mar para que não haja conflito entre banhistas, surfistas e pescadores;

  • Delimitação da distância mínima para lanchas e outros veículos motorizados;

  • Acesso para pessoas com deficiência;

  • Qualidade da água.


Praia Limpa é a Minha Praia


A fim de conscientizar a população a respeito do problema, Araújo desenvolveu um projeto de extensão chamado Praia Limpa é a Minha Praia, que tem como objetivo promover a educação ambiental e a alfabetização oceânica. O projeto surgiu em 2010, fruto da insatisfação do docente e de seus alunos que ao realizarem a coleta de água para análise nas praias de Niterói, encontraram muito lixo espalhado pela faixa de areia.


“O objetivo do projeto é passar informações sobre como o oceano influencia a humanidade e como a humanidade influencia o oceano, utilizando de atividades de educação ambiental”, explica o professor. O projeto atua nas escolas e nas universidades contribuindo para a conscientização ambiental.


Comentários


bottom of page